Alunos estudam ao relento. Foto arquivo
Nampula (Moçambique), 22 Jul (AIM) – O sector da Educação na nortenha província de Nampula, aposta na diminuição do desperdício escolar, no presente ciclo de governação, que se traduz na desistência de milhares de alunos por diversos motivos.
Dados recentes a que a AIM teve acesso referem que o nível de desistências, em 2024, registou uma ligeira redução quando comparado com o ano anterior.
Os números atestam que o ano lectivo de 2024 iniciou-se com um total de 1.984.523 alunos, sendo que 1.907.701 chegaram ao fim, enquanto 76.822 desistiram, o correspondente a 3,8 por cento.
Já em 2023 estavam matriculados 1.823.575 alunos e terminaram o ano lectivo 1.750.330, dos quais 73.245 desistiram o equivalente a 4.0 por cento.
É neste sentido que o director provincial da Educação, William Tunzine, considera que um dos principais desafios do sector é a permanência dos alunos na escola e a conclusão dos vários subsistemas de ensino.
“A participação dos pais e encarregados de educação é importante em todos os actos das nossas escolas. Neste sentido, queremos recomendar que todos os serviços distritais se foquem em garantir o acesso à educação com ingressos aos seis anos na primeira classe e a retenção dos alunos até a conclusão da educação básica”, assinalou.
“Queremos destacar desafios que se colocam ao sector nos próximos tempos, nomeadamente: massificação do ingresso de crianças na escola, especialmente as raparigas e de alunos com necessidades educativas especiais e com deficiência, combater o absentismo escolar do professor e do aluno, planificar a construção de salas de aulas resilientes, reduzir o desperdício escolar, o incumprimento das metas dos novos ingressos e a requalificação das nossas escolas”, acrescentou.
Relativamente às desistências, em 2024, de acordo com os dados, os distritos de Nacala, Nampula, Angoche e Ribáuè lideram, enquanto no sentido inverso destacam-se Nacala-à-Velha, Mossuril e Ilha de Moçambique.
As causas mais conhecidas para este fenómeno recorrente são as uniões prematuras e a gravidez precoce, entre outras, como a deslocação das famílias camponesas à procura de terras férteis.
Cirilo Mahumane, da direcção provincial de Educação, destacou os números referentes às desistências devido a gravidez precoce.
“Em 2024, a província registou 388 casos de gravidez precoce, com maior destaque nos distritos de Nampula (97), Mogovolas (58) e Angoche (40) e 234 casos de uniões prematuras, em Nampula (57), Angoche (29) e Nacala (15). Em toda a província, foram reintegrados 503 alunos que, por várias razões, deixaram de estudar, com destaque para os distritos de Meconta (82), Mogovolas (66) e Mogincual (21). Estes dados remetem-nos a uma análise profunda de quais podem ser as reais causas do desperdício”, explicou.
Mahumane usou números para justificar este entendimento, anotando que “só para os casos de uniões prematuras e gravidez precoce a nível da província, registamos um total de 622, quando comparado com casos de desistências dos distritos de Nacala (13.675), Nampula (9.753), Ribáuè (5. 673) e Angoche (5.117), o que nos leva a perceber que não são apenas as uniões forçadas e gravidez precoce, podem existir outras causas, o que carece de uma reflexão profunda”.
Nampula matriculou 2.062.327 alunos, no presente ano lectivo, dos 2.202.775 planificados, representando 93,6 porcento, sendo que, destes, 661.072(32 por cento)dispõem de carteiras, enquanto 1.400.514 (67,9 por cento)estudam sentados no chão.
Segundo o levantamento feito pelo sector da Educação, a província de Nampula tem disponíveis 165.268 carteiras escolares, mas para tirar todos os alunos do chão são necessárias 350.128.
No primeiro trimestre deste ano, foram distribuídas 2.761carteiras escolares duplas, que beneficiam11.044alunos.
A rede escolar no ensino geral, em toda a província, registou a abertura de 23 novos estabelecimentos de ensino, perfazendo um global de 2.483 escolas que estão em funcionamento, contra as 2.460existentes até 2024.
(AIM)
Rosa Inguane/dt
