Conselheiro Regional de Saúde do Fundo das Nações Unidas para a Infância UNICEF, Paul Nwakum, à AIM
Maputo, 25 Jul (AIM) – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelou que, nas últimas duas décadas, o mundo conseguiu reduzir para metade a taxa de mortalidade infantil entre crianças com menos de cinco anos de idade no continente africano.
O anúncio foi feito em Maputo, pelo Conselheiro Regional de Saúde da UNICEF, Paul Nwakum, em entrevista exclusiva à AIM, realçando que os resultados foram alcançados graças à colaboração dos parceiros e investimentos realizados na saúde primária.
“Desde 2000, conseguimos reduzir a mortalidade de crianças com menos de cinco anos em 50%, mas os desafios permanecem, especialmente agora que temos de avançar para os objectivos dos ODS”, disse o representante do UNICEF a nível da África Austral e Oriental.
De acordo com a fonte, apesar dos progressos, ainda persistem desafios como a necessidade de ampliar a atenção primária à saúde e a cobertura vacinal, alertando que ainda há muitas crianças nunca receberam uma única dose, os chamados “zero dose”, factor que propicia a explosão de novos surtos de poliomielite, sarampo e outras doenças evitáveis.
Segundo Nwakum, o UNICEF tem focado em acções estruturantes como, cuidados de saúde comunitários, levando prevenção e tratamento aos locais mais remotos para combater malária, pneumonia e diarreia, principais causas de mortalidade infantil.
Aponta igualmente, o fortalecimento da vacinação, com metas para atingir uma cobertura mínima de 95 por cento contra doenças como sarampo, realçando a necessidade de maior investimento doméstico na saúde
“por exemplo, em Abuja, governos africanos se comprometeram a alocar ao menos 15% do orçamento nacional em saúde, mas a média regional hoje gira em torno de 7%”, vinca.
Nwakum destaca Moçambique como um exemplo regional, graças ao programa de saúde comunitária e os esforços contínuos de vacinação em zonas de difícil acesso ou afectadas por conflitos e desastres naturais. Ressalta ainda a capacidade do país em mobilizar respostas rápidas como em situações de ciclones ou inundações.
Segundo o UNICEF, 17 países na África Oriental e Austral enfrentam surtos de doenças preveníveis, incluindo poliomielite, sarampo, cólera e febres hemorrágicas virais. Tais crises têm impacto directo na continuidade das vacinas e na manutenção dos ganhos em saúde infantil.
Além disso, choques climáticos e emergências económicas continuam a afectar os sistemas de saúde, comprometendo o acesso a serviços básicos de atenção à infância.
Em termos do panorama actual, desde o ano 2000 a mortalidade infantil global diminuiu cerca de 52%, graças à vacinação, nutrição, saneamento e acesso a cuidados básicos. No entanto, dados da Save the Children International, indicam que nos últimos 3 anos, cerca de 4,8 milhões de crianças morreram antes dos cinco anos, incluindo 2,3 milhões neonatal.
A organização alerta que, mesmo com progresso global, a desaceleração recente coloca em risco a meta de erradicar mortes infantis até 2030, alertando que, se nada for feito, perto de 30 milhões de crianças podem morrer antes dos cinco anos até 2030.
(AIM)
Paulino Checo/sg
