Pacientes procuram assistência médica num posto de saúde. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 20 Ago (AIM) – As autoridades sanitárias estão a procura de novos parceiros para reforçar a construção de infra-estruturas e o saneamento básico nas unidades sanitárias, sobretudo nas zonas rurais, onde se regista maior procura de serviços de saúde.
A informação foi partilhada esta quarta-feira, em Maputo, por Felismina Massingue, representante do Departamento de Saúde Pública no Ministério da Saúde (MISAU), durante o workshop de apresentação do Policy Paper sobre a provisão de serviços de Água, Saneamento e Higiene (ASH) nas unidades sanitárias, com enfoque nas províncias de Niassa, Maputo e Gaza.
Segundo Massingue, a iniciativa pretende garantir serviços de saúde de qualidade em áreas onde há défice de infra-estruturas e de água potável.
“As nossas unidades sanitárias localizam-se, na sua maioria, em zonas rurais, onde temos défice de infra-estruturas e de saneamento básico. Neste caso, falta-nos já água”, disse.
Apesar dos desafios, a fonte assegura que o MISAU, em coordenação com parceiros de cooperação, tem vindo a registar avanços significativos.
“Temos agora parceiros de cooperação que têm estado a apoiar o Ministério da Saúde nesta questão de infra-estruturas, porque, para termos a gestão adequada dos resíduos sólidos, é pertinente que primeiro existam condições básicas”, acrescentou.
Massingue mostrou-se confiante de que, nos próximos anos, o sector registará melhorias significativas, apoiadas em estudos realizados por organizações parceiras.
“Estamos à espera de ver este estudo que foi realizado pelo nosso parceiro e acreditamos que vamos melhorar bastante com isto”, afirmou.
Já a directora de Advocacia e Comunicação da WaterAid, Dulce Marrumbe, explicou que um estudo conduzido nas províncias de Niassa, Gaza e Maputo mostra que a situação de abastecimento de água, acesso ao saneamento e higiene dentro das unidades sanitárias do país continua preocupante, exigindo maior intervenção de vários actores.
“Estamos a falar de blocos sanitários, onde tanto o pessoal de saúde como os utentes permanecem por muito tempo sem água e sem blocos sanitários seguros”, apontou.
Dados de uma plataforma conjunta da UNICEF e da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que apenas 56 por cento das unidades sanitárias em Moçambique têm acesso a água e 43 por cento a saneamento básico.
Segundo Marrumbe, no âmbito da nova estratégia, a WaterAid está a trabalhar com o MISAU para a construção de infra-estruturas que beneficiam tanto as unidades sanitárias como as comunidades circunvizinhas.
“Temos estado a construir infra-estruturas e blocos sanitários com acessos seguros, incluindo para pessoas com necessidades adaptativas especiais”, referiu.
A responsável sublinhou que estes esforços são fundamentais para prevenir doenças.
“As doenças que mais causam a morte de crianças menores de cinco anos, como a malária, diarreias, surtos de cólera e mesmo a Mpox, ainda não considerada emergência, estão intimamente ligadas à questão de água, saneamento e higiene”, destacou.
O evento contou com a participação de representantes do Governo, parceiros de cooperação, sociedade civil, profissionais de saúde e especialistas da área, e tinha por objectivo promover o debate nacional sobre a integração urgente dos serviços de ASH nas políticas e planos do sector da saúde, de modo a que nenhuma unidade sanitária opere sem condições básicas de higiene e saneamento.
(AIM)
SNN/sg
