Dra Maria Felicidade, Directora Administrativa do HCM-Hospital Central de Maputo em entrevista a AIM. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 07 Nov (AIM) – O Hospital Central de Maputo (HCM) realizou 12 procedimentos de Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) na semana de arranque da actividade de uma nova unidade afim.
O esforço reforça a capacidade nacional de tratamento de doenças das vias biliares e do pâncreas que, em determinados casos, obrigavam ao encaminhamento de pacientes para o estrangeiro.
“Com o advento desta técnica, em princípio, já não vamos precisar transferir esses pacientes. Os pacientes com esses critérios serão tratados aqui”, disse, em Maputo, o director Clínico do HCM, Dércio Fernandes, durante a apresentação, esta semana, da unidade em questão.
Segundo a fonte, a CPRE combina a endoscopia digestiva alta com a fluoroscopia, técnica de imagiologia radiológica, permitindo aceder às vias biliares e ao pâncreas sem necessidade de realizar incisões externas.
O procedimento permite, entre outras intervenções, retirar cálculos que provocam obstrução das vias biliares e abordar determinadas patologias tumorais do pâncreas, constituindo uma alternativa menos invasiva à cirurgia convencional nos casos com indicação clínica.
Fernandes explicou que, antes da disponibilização desta técnica, os pacientes com cálculos nas vias biliares que necessitassem deste tipo de intervenção eram, em princípio, encaminhados para tratamento no exterior, após avaliação e preparação de uma junta médica.
Com a nova abordagem, os doentes elegíveis poderão receber tratamento no HCM, beneficiando da redução do tempo de internamento, do risco de complicações associadas a intervenções mais invasivas e de uma recuperação mais rápida.
Por sua vez, Luzmira Dimande, do Serviço de Gastroenterologia do HCM, explicou que metade dos 12 procedimentos realizados na semana de arranque esteve relacionada com patologias do pâncreas, enquanto os restantes envolveram cálculos nas vias biliares.
A responsável acrescentou que os pacientes foram identificados através de um processo de rastreio e mobilização junto de diferentes unidades sanitárias, tendo sido recebidos doentes provenientes de Maputo (sul), Sofala (centro) e Nampula (norte de Moçambique).
Em relação ao perfil dos beneficiários, explicou que as patologias oncológicas abrangem sobretudo pessoas com idade superior a 60 anos, enquanto os problemas relacionados com cálculos biliares também afectam indivíduos mais jovens, particularmente na faixa dos 40 aos 50 anos.
Após a realização do procedimento, os pacientes permanecem sob observação durante uma noite para monitoria de eventuais complicações, podendo receber alta no dia seguinte, caso não apresentem problemas.
A unidade prevê realizar dois procedimentos por dia, duas vezes por semana.
Contudo, o volume efectivo de atendimentos dependerá da referenciação e da chegada de pacientes com indicação clínica, estando prevista uma avaliação mais objectiva da actividade dentro de aproximadamente seis meses.
(AIM)
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