Presidente da República, Daniel Chapo, no primeiro plano, participa na 4ª Feira de Comércio Intra-Africana, em Argel, capital argelina
Maputo, 04 Set (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, considera que o futuro de África deverá ser construído exclusivamente pelos africanos porque ninguém irá fazê-lo pelo continente.
Chapo encontra-se em Argel desde quarta-feira a efectuar uma visita de trabalho de quatro dias a convite do seu homólogo argelino, Abdelmadjid Tebboune.
Falando hoje (04) em Argel, durante a 4ª Feira de Comércio Intra-Africana (IATF, sigla em inglês) edição 2025, que iniciou hoje na capital argelina, Argel, Chapo advertiu ser importante os povos e países africanos encetar comércio intra-africano e continuar unidos, coesos, resilientes às adversidades que vão surgir durante o percurso que visa materializar o comércio livre intra-africano.
“Minhas irmãs, meus irmãos aqui presentes, quero dizer que: o futuro de África será construído por nós. Se não formos nós a construir o futuro do continente africano, ninguém vai construir por nós. Por isso, juntos vamos fazê-lo, unidos, coesos, resilientes e determinados para que África tenha um mercado robusto, desenvolvido e que possamos materializar este sonho que nós temos como africanos”, disse.
Apontou desafios relacionados com o desenvolvimento de fronteiras de paragem única ao nível do continente africano, reconhecendo a sua enorme importância para flexibilizar o negócio.
É necessário desbloquear as fronteiras porque, segundo o estadista moçambicano, “as nossas fronteiras não são fronteiras reais, elas são fronteiras artificiais. Ao nível das nossas fronteiras, a nossa cultura é a mesma, os nossos apelidos são os mesmos, as nossas línguas são as mesmas, o que demonstra de forma clara e inequívoca que, como africanos, precisamos esquecer um pouco esta divisão político-administrativa e vermos o desenvolvimento económico como um desenvolvimento integrado entre irmãos africanos”
Chapo fez saber que Moçambique possui vários projectos na manga no sector da energia, uma vez que os países da África austral enfrentam escassez de energia eléctrica.
“Moçambique, dada a nossa localização geográfica, temos a vantagem de ter recursos para a produção de energia”, disse, citando como exemplo a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) cuja energia alimenta alguns países da região austral.
“Queremos aumentar a capacidade da hidroeléctrica actualmente existente; queremos também construir uma nova hidroeléctrica com um projecto de cerca de 1.500 MW, para reforçar a disponibilidade de energia na região da África austral”, disse.
Orçado em 5,5 mil milhões de dólares, a hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa vai estar assente a 61 quilómetros à jusante da HCB, no rio Zambeze.
Chapo referiu aos projectos de produção do Gás Natural Liquefeito (LNG) instalados na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, que igualmente serão catalisadores de energia de gás na região austral de África.
“Também, através do gás, queremos construir mais centrais eléctricas para podermos fornecer energia aos países irmãos da região”, disse.
Relativamente ao sector de transporte e logística, o Presidente da República afirmou estar em curso a modernização digital dos três corredores de desenvolvimento de Moçambique, que acompanham os respectivos portos, o de Maputo, sul do país; o da Beira, província de Sofala, centro, e o de Nacala, província setentrional de Nampula.
Os três portos que servem de logística e hub importante para os países do hinterland.
O governo moçambicano aposta na força motriz da juventude, por isso, de acordo com Chapo, as mulheres têm sido as melhores gestoras de fundos das Pequenas e Médias Empresas, e “nós continuamos a apostar nelas”.
A IATF termina próxima quarta-feira (1) e promete ser uma plataforma única para promover o comércio entre países africanos.
Organizada pelo Banco Africano de Exportação-Importação (Afreximbank) em parceria com a Comissão da União Africana e o Secretariado da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) a Feira pretende gerar acordos comerciais e de investimento superiores a 44 mil milhões de dólares.
(AIM)
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