Combatentes visitam o Monumento e Centro de Interpretação da Matola. Foto de Carlos Júnior
Matola (Moçambique), 06 Set (AIM) – O Ministério dos Combatentes mobilizou um grupo de 193 combatentes oriundos de todos os distritos do país para reviverem a história da luta armada que culminou com a independência de Moçambique, visitando o Monumento e Centro de Interpretação da Matola.
A directora nacional de Inserção Social dos Combatentes, Laura Mata, diz que a iniciativa pretende “valorizar os nossos combatentes, trazer a componente de sensibilização social sobre a nossa história de luta de libertação nacional e criar um momento de interacção entre os combatentes”.
A dirigente falava durante uma visita dos Combatentes àquele espaço que preserva a memória conjunta de Moçambique e África do Sul e bem como de outros países da África Austral na luta contra o regime do Apartheid, na África do Sul,
Reconhece que ainda há algum trabalho a ser feito para a massificação da história do país pelos mais jovens e, por isso, o Ministério dos Combatentes tambem pensou nas crianças em suas celebrações.
“Ontem foi possível visitar três escolas básicas aqui na cidade da Matola. Sentimos que as crianças estavam ávidas em querer saber mais sobre a história do nosso país. (…) Eu penso que devemos criar programas específicos sobre educação patriótica, onde a gente enaltece ou eleva o nosso património histórico nacional, a nossa história como moçambicanos e procurarmos trazer ao de cima aquela nossa auto-estima da nossa moçambicanidade”, disse.
A ideia do patriotismo é reforçada pelo secretário do Comité Provincial da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLN) de Cabo Delgado, Jacinto Nancoma, que defende mais espaço para a divulgação da história dos combatentes como caminho ao patriotismo.
“O primeiro desafio [dos combatentes], é continuar a transmitir o seu legado. Os jovens têm de se sentir patriotas, donos de Moçambique, os donos e únicos fazedores deste país. O segundo [desafio] é defender este país como nós fizemos. Nós tivemos muitas lutas de defesa deste país, mas libertamos o país”, disse.
Para o efeito, Nancoma sugere massificação da educação patriótica, pois, “não é possível haver patriotismo para quem não conhece a história do país”.
“A história do país tem de ser estudada nas escolas de Moçambique. Os jovens não conhecem a história de Moçambique. Não é possível que haja patriotismo para quem não conhece a história do país. Devem conhecer o seu próprio país, que é para depois ter o patriotismo e isso tem que ser dado na escola”, sublinhou.
Enaltece o esforço dos combatentes que, embora não tenham tido a oportunidade de estudar, por conta dos desafios de sua época, abriram espaço para, com a independência, os moçambicanos poderem se formar.
“Esses [combatentes] muitos não estudaram, pois não havia escolas. Por isso, que pegaram armas para libertar o país, libertar o homem e a terra. Em todo o país só havia a Universidade de Lourenço Marques. Quantos moçambicanos tinham lá? Era de brancos, colonos, mas hoje temos universidades e escolas em todas as províncias e na maior parte de distritos”.
Diz que falta engajamento da juventude moçambicana, aliás, “o actual jovem moçambicano está mais preocupado em viver bem e não em criar condições para virem os bens”.
“Nós já vimos, estamos com 50 anos de independência e a celebrar 51 anos do acordo de Lusaka. Mas, naturalmente, nós estamos a passar e quem deve continuar são vocês, jovens”.
Apela aos mais jovens para evitarem comparações e “copiar os de fora”, pois, “aquilo que a gente vê nas redes sociais, na televisão, queremos trazer para aqui. Mas eles criaram condições lá, depois de muitos anos de independência e nós exigimos que Moçambique, em 50 anos, esteja ao nível deles”.
“Tivemos uma recepção calorosa e muitos de nós pisa neste lugar pela primeira vez. Só ouvíamos que houve um ataque em Matola, que sul-africanos [regime do Apartheid]invadiram o nosso país naquela altura. Mas, afinal de contas, o local é este. Quem tinha dúvidas, penso que as dúvidas já acabaram”, disse.
Já o funcionário-guia, Francisco Mabasso, diz ter tido um desafio, ao ter de “contar a história aos donos da história”, missão que desempenhou com enorme alegria.
“Eles é que são os mentores daquela história. Então, o sentimento é de agradecer por ter conseguido trabalhar com eles. Trabalhar com aquelas pessoas que, na verdade, são específicas, são pessoas da área”.
A visita dos combatentes da luta de libertação nacional insere-se nas celebrações do 7 de Setembro, dia da Vitória, marcado pela assinatura dos Acordos de Lusaka, na capital zambiana, entre o governo colonial português e a Frente de Libertação de Moçambique reconhecendo o direito de Moçambique à independência.
(AIM)
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