Director-geral da TotalEnergies em Moçambique, Maxime Rabilloud, fala à população do distrito de Palma, durante a entrega de uma estrada
Palma (Moçambique), 6 Set (AIM) – A multinacional petrolífera TotalEnergies, operadora do megaprojeto de gas natural Mozambique LNG, orçado em 20 mil milhões de dólares norte-americanos, está a dar passos firmes para levantar a cláusula de “força maior”, accionada em 2021 na sequência do agravamento da insegurança no distrito de Palma, província de Cabo Delgado, na região norte.
O anúncio da retoma formal das operações, embora ainda sem data confirmada, é iminente e representa um marco crucial para a economia moçambicana.
O director-geral da TotalEnergies em Moçambique, Maxime Rabilloud, confirmou sábado (06) em Palma, à margem de entrega de algumas infra-estruturas sociais as comunidades locais, que a empresa está a ultimar os detalhes para o reinício do projecto na península de Afungi.
“Estamos a nos preparar para levantar a força maior. Estamos a trabalhar duro para o reinício do projecto”, declarou o gestor, durante a entrega de uma estrada de 1,7 quilómetros em Palma, orçada em 2,6 milhões de dólares, que liga as comunidades de Senga e Quitunda, onde vivem 600 famílias reassentadas.
De acordo com o representante da multinacional francesa em Moçambique, a complexidade dos detalhes do reinício a nível do site em Afungi, poderão alterar um pouco as projecções do director-geral da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, que esperava a retoma ainda nos meados do corrente mês, mas acredita que o curso das actividades acalenta muitas expectativas.
Segundo Rabilloud, as obras de engenharia do projecto estão 90% concluídas, incluindo componentes críticos para a instalação da unidade de liquefacção de gás natural.
“Já estão em construção as turbinas fora do país e os componentes já concluídos deverão começar a chegar logo após o levantamento da força maior”, explicou.
O projecto prevê a instalação de uma base logística marítima em Afungi, com capacidade para receber navios que transportarão equipamentos industriais de grande porte.
A infra-estrutura é considerada vital para a transformação de Moçambique em um dos maiores exportadores de gás natural liquefeito (GNL), abrindo novas fontes de receitas fiscais e de exportação.
A paralisação de quatro anos, desde Março de 2021, gerou incertezas no tecido empresarial e travou expectativas de crescimento em diversos sectores. No entanto, a TotalEnergies tem mantido investimentos sociais significativos, incluindo estradas, electrificação de comunidades, escolas e centros de saúde, numa estratégia que procura criar laços sólidos com as populações locais.
“Vocês são de Palma e estão a testemunhar os projectos sociais que a TotalEnergies está a desenvolver nas comunidades. Estão a ver as movimentações e isso é sinal claro de que estamos próximos da retoma”, afirmou Rabilloud, sublinhando a necessidade do envolvimento das comunidades como legítimas detentoras dos recursos.
O reinício das operações decorre sob fortes medidas de segurança, asseguradas por forças nacionais e por um contingente ruandês, cuja presença foi recentemente reforçada após o encontro entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o seu homólogo de Kigali.
Máquinas e equipamentos já operam dentro do perímetro do projecto em Afungi, sinal de que a TotalEnergies está a avançar, mesmo antes do anúncio oficial. “Neste momento, há acções que preferi concentrar dentro do acampamento para garantir que esta fase crucial de reinício não haja constrangimentos”, explicou o gestor.
O Mozambique LNG é o maior projecto de liquefacção de gás natural em terra em África e a sua retoma representa uma viragem económica para Moçambique. Espera-se que o empreendimento gere milhares de empregos directos e indirectos, dinamize cadeias de fornecimento locais e consolide o país como um dos principais actores do mercado mundial de GNL.
A confirmação do levantamento da “força maior” é aguardada como um momento histórico para Cabo Delgado e para o país, simbolizando não apenas a confiança dos investidores, mas também o início de uma nova etapa para o desenvolvimento económico e social de Moçambique.
(AIM) Paulino Checo/sg
