Maputo, 14 Set (AIM) — O aumento dos casos de suicídio em várias províncias de Moçambique tem gerado preocupação entre líderes comunitários, religiosos e activistas sociais, levando-os a apelar ao diálogo, à vigilância e ao reforço da saúde mental, especialmente entre os jovens.
A preocupação foi expressa por Cidália Chaúque, secretária-geral da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), no final de uma visita de três dias à Província de Maputo, durante a qual avaliou o progresso dos projectos da organização e destacou a importância do diálogo nacional e da coesão comunitária.
Chaúque ressaltou que índices elevados de violência podem afectar as famílias e, consequentemente, os jovens, destacando que o diálogo nacional, recentemente promovido pelo chefe de Estado, constitui um espaço para que cada moçambicano contribua com ideias que ajudem a reduzir conflitos e restaurar valores morais.
Ernesto Manguengue, bispo da Diocese de Inhambane, reforçou a importância do diálogo familiar na prevenção de suicídios, sendo uma das causas principais o silêncio das vítimas. “As famílias devem prestar atenção ao dia-a-dia de cada membro, acompanhando desvios de comportamento e cuidando das emoções e do bem-estar de todos”, explicou.
Manguengue destacou ainda que, nos últimos dez anos, a província registou mais de 800 mortes por suicídio, reforçando a necessidade de atenção especial a adolescentes e jovens.
Em paralelo, activistas sociais da cidade da Beira, como Vanessa Macamo e Isabel Limpo, enfatizam a importância de reforçar o apoio psicossocial. “A saúde mental é essencial para o desenvolvimento pessoal, profissional e social dos jovens”, disse, defendendo a criação de uma linha de atendimento especializada.
Isabel Limpo acrescentou que muitas pessoas carregam pesos invisíveis e que os sinais de risco de suicídio são, muitas vezes, perceptíveis, tendo sugerido consultas públicas gratuitas e acompanhamento próximo à comunidade como medidas preventivas.
O consenso entre líderes e activistas é de que a prevenção do suicídio depende de uma acção integrada, envolvendo famílias, instituições religiosas, organizações da sociedade civil e o próprio Estado.
A criação de mecanismos de apoio psicossocial, o diálogo inclusivo e a vigilância comunitária surgem como estratégias essenciais para enfrentar este desafio crescente no país.
Vale lembrar que, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado de Inhambane, foram registados nove casos de suicídio no primeiro semestre de 2025, principalmente nos distritos de Massinga, Funhalouro e Govuro. Estes números indicam a continuidade da preocupação com o aumento dos suicídios na província, que já havia registado cerca de 100 casos em 2024.
A taxa nacional de suicídios é de 17,3 por 100 mil habitantes, sendo uma das mais altas de África, o que reforça a necessidade de atenção contínua à saúde mental da população.
(AIM)
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