Doente de tuberculose Centro de Excelência para o Tratamento de Tuberculose. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 15 Set (AIM) – O Ministro da Saúde, Ussene Isse, manifestou nesta segunda-feira a sua indignação e preocupação com o estado precário das infra-estruturas do Hospital Geral da Machava, na província de Maputo, em Moçambique.
Isse exprimiu a sua insatisfação durante a visita de trabalho àquela unidade sanitária na manhã desta segunda-feira (15).
Garantiu que o governo vai encontrar uma solução, a curto prazo, para melhorar as condições de internamento e de trabalho naquela unidade sanitária especializada no tratamento da tuberculose.
Durante a visita de trabalho, Isse saudou os profissionais de saúde pelo “espírito heróico” demonstrado, apesar das condições deficientes. “Há heróis invisíveis aqui. Mas saio muito triste: esta infra-estrutura não está em condições para atender a população”, lamentou, sublinhando que o cenário “não dignifica” o sector e exige resposta urgente.
O governante explicou que serão equacionados cenários, incluindo infra-estruturas pré-fabricadas, para garantir atendimento digno aos doentes. Sublinhou ainda a necessidade de conjugar esforços entre o Ministério da Saúde, parceiros, como o Banco Mundial, e o Orçamento do Estado, para reabilitar ou substituir o edifício.
Na ocasião, Isse recordou a orientação do Presidente da República, Daniel Chape, para que nenhum moçambicano morra por falta de condições de internamento, assistência ou medicamentos. “Queremos hospitais de excelência para doenças como a tuberculose. O que vi aqui não pode continuar nesta governação”, frisou.
Os médicos e outros profissionais de saúde partilharam, por sua vez, as dificuldades que enfrentam diariamente, desde a escassez de material básico até à sobrecarga de trabalho causada pela elevada procura.
Referiram problemas recorrentes como avarias frequentes no equipamento de diagnóstico, infiltrações nas enfermarias e falta de ventilação adequada em algumas alas.
Apesar disso, salientaram o compromisso em manter o atendimento aos doentes e sugeriram ao ministério soluções imediatas, como a criação de um plano de manutenção contínuo, reforço do pessoal e fornecimento regular de medicamentos essenciais.
O ministro abordou igualmente outros desafios do Sistema Nacional de Saúde, destacando o “triplo fardo” de doenças no país: infecciosas, crónicas não transmissíveis e traumas.
Apontou os acidentes de viação e o consumo excessivo de álcool como factores que elevam a mortalidade e, por isso, defendendo acções multissectoriais para reduzir a sinistralidade rodoviária.
Durante a visita, foi ainda apresentado um programa de cooperação com uma equipa médica dos Estados Unidos, que iniciou a formação de profissionais moçambicanos para colocação de próteses no esófago de doentes com cancro, melhorando significativamente a qualidade de vida de cerca de 70 pacientes.
O governante apelou à humanização no atendimento aos utentes. “Temos de criar cicatrizes de amor, não de dor. Os pobres não têm culpa; vêm buscar ajuda e merecem respeito, carinho e atenção”, sublinhou perante trabalhadores e estudantes de saúde.
O Hospital Geral da Machava, construído há várias décadas, enfrenta problemas estruturais, incluindo deficiências na rede eléctrica, hidráulica e em equipamentos como o TAC, que está inoperacional há vários meses. O ministro prometeu acelerar o diálogo com os fornecedores e parceiros para resolver estas falhas.
“O cenário é urgente, mas vamos agir com rapidez”, concluiu Isse, garantindo empenho para assegurar serviços de saúde de qualidade e dignidade aos pacientes.
(AIM)
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