Impacto da poluição causada pela mineração nos rios da província de Manica, em Moçambique. Foto arquivo
Chimoio (Moçambique) 17 Set (AIM) – O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, considera um desastre ambiental a poluição que se regista em alguns rios na província central de Manica, que resulta da mineração desenfreada e desregrada de ouro.
“Vamos trabalhar para travar este desastre. As autoridades da província estão a trabalhar e, se for necessário, paralisar toda a actividade mineira. Havemos de fazer em defesa de ambiente e da saúde pública”, afirmou Chapo, está quarta-feira (17), depois de testemunhar a cerimónia de outorga do título combatente de Luta de Libertação Nacional a antiga combatente Marina Pachinuapa, pela Universidade Púnguè (UNIPUNGUE).
Chapo lembrou ter sido a primeira pessoa a falar sobre a poluição dos rios durante um comício que orientou na cidade de Chimoio, onde advertiu ser um problema que atenta contra a saúde pública.
Segundo Daniel Chapo, como chefe de Estado, como Presidente da República tem responsabilidades acrescidas em criar melhores condições de vida para os moçambicanos.
“Foi o que me moveu a ser a primeira pessoa a falar sobre a poluição dos rios devido a actividade mineira na província de Manica. Ao nível do Ministério dos Recursos Minerais e Energia estamos a trabalhar, através da inspecção e outras instituições para travar este mal que coloca em perigo a vida humana e outras espécies animais, bem como a actividade agrícola” disse Daniel Chapo.
“Nós, a nível central, estamos a fazer o nosso trabalho. A província também está empenhada com vista a encontrar uma solução urgente para este problema. Como sabem, queremos que essa situação fique ultrapassada. Vamos tomar medidas duras. Mesmo que seja para suspender todas as actividades de mineração na província, havemos de fazer para a salvaguarda do ambiente”.
“É nossa responsabilidade como governo repormos a qualidade da água nos rios, proteger o ambiente e garantir a prática de uma mineral sustentável para evitarmos a poluição dos rios e tenhamos uma vida saudável”, acrescentou.
Os rios Révuè, Chicamba, Nhancuarara, Púnguè e outros são os mais afectados pela actividade mineira na província de Manica.
Destacam-se entre os poluentes o mercúrio e cianeto usados na lavagem de areia para extracção do ouro as águas dos que também desaguam na Albufeira de Chicamba, uma das principais fontes de captação do líquido preciso consumido nas cidades de Chimoio e Manica, bem como na vila de Gondola e nos povoados de Messica e Bandula.
Exercem a actividade mineira no distrito de Manica, potencial em recursos minerais, principalmente o ouro, um total de 28 empresas, dezenas de associações garimpeiros e mais de 10 mil garimpeiros.
(AIM)
Nestor Magado (NM) /sg
