Photo file: Artisanal mining
Chimoio (Moçambique) 10 Set (AIM) – A governadora da província de Manica, Francisca Tomás confirmou, na tarde desta quarta-feira (10), a suspensão de toda a actividade mineira naquela parcela de Moçambique, para reduzir a poluição dos rios e, deste modo, salvaguardar o ambiente e a saúde pública.
A medida deverá ser implementada dentro de dias e abrange todos as empresas, associações de garimpeiros e outros indivíduos que exploram ilegalmente o ouro e outros minerais em Manica.
A governante anunciou o facto hoje durante a sessão extraordinária do governo distrital que marcou o inicio de uma visita de três dias.
Francisca Tomás referiu que a medida será por um período indeterminado para permitir que as empresas, associações de garimpeiros e outros se organizem para uma outra forma de exploração dos recursos minerais sem prejudicar o meio ambiente.
O que se pretende, segundo Francisca Tomás, é que a exploração seja feita de forma sustentável, sem causar danos ao meio ambiente e não poluir a água dos rios.
Há vários anos que parte dos rios da província de Manica estão sendo poluídos com mercúrio e cianeto por empresas e associações de garimpeiros que se dedicam a exploração do ouro.
“O desafio agora é travar essa actividade e será por um período indeterminado porque queremos que as empresas e associações de garimpeiros, incluindo outros intervenientes se organizem para uma exploração sustentável. A vida humana está em primeiro lugar. Deve merecer a nossa maior atenção”, disse Francisca Tomás.
“Por essa razão, devemos suspender toda a actividade de exploração mineira. Acreditamos que essa suspensão poderá permitir que, nos leitos dos rios onde havia dragas, seja reorganizada e volte a passar água limpa como no passado. Deixarmos os rios assim como estão não estaremos a resolver o problema. Mesmo que chova, não teremos água a correr pelos leitos dos rios”.
Reconheceu que a paralisação da actividade mineral vai afectar o rendimento económico de muitas famílias e da província.
Todavia, segundo Francisca Tomás, é importante que está medida entre em vigor para proteger o ambiente e a saúde pública.
“É verdade que a nossa economia precisa deste sector mineiro para o seu crescimento. Muitas famílias também dependem desta actividade, mas é necessário diversificar para garantir que a população não fique prejudicada”, acrescentou.
Refira-se que a procuradora do Departamento de Defesa dos Interesses Colectivos e Difusos na província de Manica, Cláudia Carrau, já havia advertido sobre a possibilidade de suspensão da actividade mineira em toda a província de Manica devido a poluição dos rios, Révuè, Púnguè, Lucite, Nhacuarara, a albufeira de Chicamba e outros cursos de água.
A medida foi tomada num encontro com os membros de representação do Estado que tinha como agenda discutir e trazer soluções concretas para acabar com poluição dos rios, na província de Manica.
As águas captadas a partir da albufeira de Chicamba, uma das principais fontes de abastecimento do preciso líquido às cidades de Chimoio, Manica, Gondola, Messica e outros povoados está contaminada com mercúrio e cianeto, o que é prejudicial a saúde humana.
Os distritos de Manica, Sussundenga, Báruè, Macossa e Gondola são potenciais em recursos minerais, principalmente ouro.
Empresas e associações de mineradores usam várias técnicas, para a extracção de ouro, a maioria das quais prejudiciais ao meio ambiente e a saúde pública.
Alguns campos de produção agrícola e pecuária também estão comprometidos nas margens dos rios, cujas águas estão contaminada por mercúrio e cianeto por causa da mineração industrial e o garimpo ilegal.
(AIM)
Nestor Magado (NM)/sg
