Fórum Nacional sobre Paz e Reconciliação em Moçambique. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 05 Nov (AIM) ‒ O Sheik Said Habib defende que o caminho para a reconciliação nacional não requer vanglórias do passado, mas sim acções do presente que se deverão repercutir no futuro.
Habib falava na manhã de hoje (05), em Maputo, na abertura do Fórum Nacional de Paz e Reconciliação, evento de dois dias, organizado pelo Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), sob o lema “Buscando caminhos e tecendo alianças” .
A fonte, que falava em representação do Ministro da Justiça Assuntos Constitucionais e Religiosos, disse que “o tempo que verdadeiramente nos pertence é o presente e, é nele que devemos plantar as sementes do futuro, um futuro que deve estar alicerçado nos ideais de progresso, da justiça e do bem-estar para todos os moçambicanos.
Lembrou que a busca pela paz, justiça e reconciliação nacional tem sido um tema central e complexo na história de Moçambique, destacando que o país tem, no seu percurso, o Acordo Geral de Paz, assinado em Roma em 1992, que pôs fim à Guerra Civil; o Acordo de Cessação de Hostilidades, em 2014, que interrompeu o ressurgimento da violência armada e o Acordo de Paz e Reconciliação de Maputo, de 2019, centrado no processo de desarmamento, desmobilização e reintegração (DDR).
Lamentou o facto de o passado do país ser caracterizado por conflitos que “marcaram gerações e deixaram feridas profundas” e, hoje, em algumas regiões ainda se faz ouvir o eco das armas.
Outros desafios apontou a pobreza, desigualdade e dificuldades do desenvolvimento económico, o que “põe à prova os valores da paz, da justiça e da reconciliação”.
Por isso, o dirigente apela à acção conjunta entre o governo, sociedade civil, partidos políticos, comunidade religiosa e cidadãos em geral, “para satisfazer as necessidades do nosso povo e construir uma vida melhor para todos”.
Enfatizou que Moçambique enfrenta novos desafios à paz social por conta dos sequestros, raptos, linchamentos, violência doméstica, violação das raparigas e exploração mineira desumana.
“Essas falhas minam o nosso tecido social, atrasam a economia e travam o desenvolvimento nacional. Por isso, entendemos a reconciliação como um processo de restauração da confiança e da cooperação que só é possível quando se encontram a verdade, o perdão, a justiça e a paz.
Já o reitor da Universidade Pedagógica de Maputo (UPM), entidade que acolheu o evento, Jorge Ferrão, disse que a reconciliação não se faz com assinaturas e nem com discursos, mas com gestos e atitudes concretas e em todas as línguas “para que o agricultor sinta a segurança da sua aldeia, o jovem encontre uma oportunidade e para que cada uma das nossas instituições trate o outro moçambicano com dignidade”.
Ferrão sublinha que durante o Fórum, o campus da Universidade deixa de ser apenas um espaço académico para se tornar uma casa de escuta e de palavra, onde se procura falar com o coração e com a razão na certeza de ajudar a reconciliar o país.
Por seu turno, o director executivo do IMD, Hermenegildo Mulhovo, recorda que o país teve, durante muitos e longos anos guerra, “porque estávamos divididos”, para além das manifestações pós-eleitorais, “que praticamente paralisaram o país”,.
Concluiu revelando o desejo de que os resultados das discussões do evento sejam conduzidos para a Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo a fim de serem enquadradas no debate.
O Fórum Nacional de Paz e Reconciliação é organizado pelo IMD em parceria com a Fundação MASC, a Universidade Pedagógica de Maputo e o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos e decorre no âmbito do consórcio Pro-Paz, financiado pela União Europeia e o Projecto Pro-cívicos e Direitos Humanos, entre outras.
(AIM)
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