Maputo, 06 Nov (AIM) – A Deloitte Moçambique, empresa de consultoria na área financeira, alerta que as fraudes e crimes financeiros estão a aumentar nas empresas moçambicanas, com cerca de 35 por cento das organizações vítimas de algum tipo de incidente no último ano.
Os dados foram apresentados por Vera Pita, investigadora da Deloitte Moçambique, durante o Fórum Bancário promovido pelo Banco ABSA, em Maputo. O evento revelou resultados inéditos do novo Estudo sobre Crimes Financeiros e Fraudes em Moçambique.
“Estamos perante um fenómeno complexo e em expansão. As organizações moçambicanas enfrentam riscos internos e externos que exigem uma resposta urgente, estruturada e tecnológica”, afirmou Vera Pita.
De acordo com o estudo, 88 por cento das empresas identificam fraudes em meios de pagamento como o tipo mais comum de crime interno, seguidas do uso indevido de recursos e roubo de bens.
No plano externo, um terço das empresas registou fraudes cometidas por clientes, fornecedores ou parceiros comerciais, enquanto 19 por cento sofreram ataques cibernéticos e igual percentagem enfrentou falsificação de documentos.
“As tipologias são cada vez mais sofisticadas. É urgente reforçar os mecanismos de controlo e detecção proactiva”, sublinhou Pita, acrescentando que a tecnologia é essencial neste combate, mas ainda é subutilizada em Moçambique.
O relatório da Deloitte que deverá ser publicamente lançado esta semana, revela que 72 por cento das empresas não dispõem de ferramentas para detectar irregularidades em tempo útil, e os principais obstáculos são os custos elevados do software, a resistência à mudança e as dificuldades de integração entre sistemas.
“Muitas instituições utilizam sistemas desactualizados e desconhecem soluções mais modernas, o que as torna vulneráveis”, alertou Pita.
A Deloitte propõe uma reforma baseada em quatro pilares essenciais para reverter o cenário, nomeadamente, a cibersegurança, perante o aumento dos ataques digitais, a monitorização contra branqueamento de capitais e melhoria dos reportes, a gestão de riscos macroeconómicos, face à instabilidade global e a Governança corporativa e cultura de risco.
No geral, o estudo da Deloitte deixa um diagnóstico preocupante, fraudes em alta, controlos frágeis e baixa adopção tecnológica, mas também aponta o rumo, designadamente, a inovação, automatização e cultura de integridade como bases para um sistema financeiro mais seguro e competitivo.
(AIM)
Paulino Checo /sg
