Presidente moçambicano, Daniel Chapo, discursa na 30.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP30) em Belém do Pará, Brasil
Belém (Brasil), 06 Nov (AIM) – Moçambique necessita de 37,2 mil milhões de dólares norte-americanos para alcançar a plena resiliência climática, valor que representa não apenas o custo da adaptação, mas também a esperança de milhões de moçambicanos.
O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou o facto esta quinta-feira (06) no seu discurso proferido na Sessão Plenária da Cúpula de Líderes das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), um evento de dois dias com início esta quinta-feira na cidade brasileira de Belém do Pará.
Acrescentou que a mobilização de financiamento é condição essencial para a justiça climática e para a sobrevivência dos países mais vulneráveis as mudanças climáticas.
“As promessas de financiamento devem ser honradas e operacionalizadas. O Fundo de Perdas e Danos deve tornar-se um verdadeiro instrumento de justiça climática global”, sublinhou.
O Chefe de Estado apelou para que os mecanismos multilaterais e bilaterais sejam “mais acessíveis e sensíveis às realidades dos países em desenvolvimento”.
“Os países desenvolvidos devem liderar pelo exemplo, ampliando as suas acções de mitigação e assegurando apoio financeiro e tecnológico previsível e suficiente”, referiu.
O estadista moçambicano fez questão de frisar que a equidade climática deve reconhecer o direito dos países africanos ao desenvolvimento, incluindo o acesso à energia limpa, infra-estruturas resilientes e oportunidades industriais sustentáveis.
Chapo lembrou que Moçambique é “um país de vastas riquezas naturais e extraordinária beleza”, mas também “de elevada vulnerabilidade climática”, sendo ciclicamente afectado por ciclones e inundações que comprometem o desenvolvimento.
Apesar das dificuldades, o Presidente moçambicano destacou os progressos alcançados, referindo a Iniciativa de Preservação e Protecção da Floresta do Miombo, citando como exemplos a implementação da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) e a aprovação da Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025–2034, integrada na planificação orçamental do Estado.
“Esses instrumentos são convites abertos à cooperação e ao investimento verde. A luta contra as mudanças climáticas é também uma oportunidade de transformar economias e criar empregos verdes”, observou.
Concluiu a sua intervenção apelando à responsabilidade global para “Que as nossas decisões sejam inspiradas no ditado de que não herdámos a Terra dos nossos antepassados, mas pedimo-la emprestada aos nossos filhos”.
Antecedendo a intervenção de Chapo, o Presidente do Brasil, Lula da Silva, afirmou, na abertura da conferência, que esta deve ser “a COP da verdade.
“É hora de encarar a realidade e decidir se teremos ou não a coragem e a determinação necessárias para transformá-la”, disse Lula.
O estadista brasileiro destacou o simbolismo da floresta da Amazónia como centro do debate ambiental e apelou à justiça climática e à cooperação internacional.
“Temos que abraçar um novo modelo de desenvolvimento mais justo, resiliente e de baixo carbono”, concluiu.
Participam no evento mais de 40 chefes de Estado e de governo e representantes de mais de 101 países para encontro preparatório da Cúpula.
Entre os ausentes destacam-se o Presidente norte-americano, Donald Trump, Xi Jinping da China e do argentino Javier Milei.
A China, o maior emissor de gases do efeito estufa na atmosfera, a China enviou o vice-primeiro-ministro, Ding Xuexiang. Já os Estados Unidos, que ficam em segundo na lista de maiores poluidores, se retiraram das negociações.
(AIM)
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