Caifadine Manasse. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 13 Nov (AIM) – O desenvolvimento não pode estar concentrado nas capitais provinciais moçambicanas porque a pobreza é, em grande medida, rural, e a desigualdade acaba tendo rosto territorial.
De acordo com o ministro moçambicano da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse, o desenvolvimento tem de chegar aos distritos, às vilas e às comunidades rurais.
Falando esta quinta-feira (13) na Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano, na sessão de perguntas ao governo, Manasse disse “ser por isso que o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) tornou-se um instrumento central de transformação económica, alocando 60% dos seus recursos a projectos de jovens e 40% a iniciativas de mulheres.”
Segundo o ministro, é também por isso que o Presidente Daniel Chapo, no seu discurso de tomada de posse, afirmou “com clareza que a falta de oportunidades não é um destino inevitável. A juventude deve ser o motor da renovação de Moçambique.”
“Estas não foram palavras de ocasião. São a bússola estratégica que orienta este quinquénio de governação, 2025–2029,” afirmou o Ministro.
O fundo (FDEL) opera com juros bonificados de 5% e prazos de reembolso entre 12 e 24 meses, financiando iniciativas de pequena e média dimensão nos sectores como agricultura, pesca, turismo, construção civil, comércio e serviços.
Actualmente, a maior concentração de projectos está no norte do país, sobretudo em Nampula e Cabo Delgado, onde a pressão demográfica juvenil é mais intensa.
“Estamos a levar oportunidades para onde elas mais fazem falta,” garantiu.
Disse que o Presidente Daniel Chapo muito cedo compreendeu algo essencial de que num país onde 65% da população tem menos de 25 anos, a juventude é, em si mesma, uma questão de soberania.
“Não pode haver segurança nacional sustentável sem uma juventude empregada, educada, saudável e participativa. Não pode haver desenvolvimento económico sem o talento, a energia e a criatividade dos jovens. E não pode haver coesão social sem a inclusão efetiva da geração que constitui a maioria demográfica do nosso país,” anotou.
“A juventude é, por isso, o nosso petróleo renovável. O recurso estratégico mais valioso de Moçambique,” referiu.
Acrescentou que “se não investirmos nela agora, se não criarmos as condições para o seu florescimento, estaremos a hipotecar o futuro da Nação”.
Todos os anos, mais de 400 mil jovens moçambicanos entram na idade economicamente ativa e procuram o seu primeiro emprego.
O Ministro reconheceu o papel das diferentes iniciativas de financiamento juvenis e do sector privado na salvaguarda dos interesses desta camada, e do país em geral .
“Todos os anos, cerca de 400 mil jovens batem às portas do mercado de trabalho. Esta pressão demográfica é colossal. Nenhum Governo — em Moçambique ou em qualquer parte do mundo — consegue, sozinho e num curto espaço de tempo criar meio milhão de empregos formais por ano. Reconhecer isto, excelência, não é sinal de fraqueza, é sinal de honestidade intelectual, moral e política”, afirmou Manasse.
(AIM)
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