Maputo, 21 Nov (AIM) – O economista Sam Jones defendeu hoje, em Maputo, que África precisa redefinir as suas estratégias de desenvolvimento para fazer face ao rápido crescimento populacional, às mudanças tecnológicas e à reduzida capacidade de criação de emprego.
Intervindo na qualidade de orador, na conferência inaugural do Centro Africano de Conhecimentos, Estudos e Pesquisas (CACEP), Jones afirmou que o continente atravessa um ponto de inflexão, marcado por incertezas no sistema económico internacional e pela urgência de elevar a produtividade, garantindo emprego digno a uma população jovem em rápida expansão.
O académico recordou que, historicamente, a transformação estrutural baseava-se no aumento da produtividade agrícola, na expansão da indústria transformadora e, posteriormente, no crescimento dos serviços. Contudo, observou que o contexto global actual difere profundamente daquele que impulsionou a industrialização das economias hoje desenvolvidas.
Jones salientou que a indústria manufacturera moderna é altamente automatizada, intensiva em capital e integrada em cadeias de valor multinacionais, o que dificulta a entrada tardia dos países africanos e reduz a capacidade de absorção de mão-de-obra menos qualificada. Apontou ainda o fenómeno de “desindustrialização prematura”, visível em vários Estados africanos, onde a manufactura perde peso económico antes de alcançarem níveis médios de rendimento.
No caso de Moçambique, Jones realçou que, apesar do forte crescimento registado entre 1995 e 2015, o país permanece entre os mais pobres do mundo. Desde então, a economia tem evoluído a um ritmo mais lento, com uma estrutura produtiva pouco dinâmica. Cerca de 75 por cento da população continua dependente da agricultura como principal fonte de rendimento, enquanto a migração laboral se concentra sobretudo em serviços informais de baixa produtividade.
O economista lembrou que a pobreza aumentou na última década e que as desigualdades regionais se agravaram, sobretudo no norte e centro, onde vive metade da população.
Sublinhou que Moçambique ainda não encontrou um motor interno de crescimento capaz de sustentar a transformação económica necessária.
Apesar dos desafios, Jones destacou oportunidades em sectores comercializáveis, como agroprocessamento, turismo, serviços digitais e energias renováveis, áreas que podem gerar emprego e elevar a produtividade.
Defendeu que o caminho para a transformação deve assentar em políticas coerentes, visão estratégica e debate académico rigoroso.
(AIM)
SNN/pc
