Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) recebe duas aeronaves do tipo Embraer 190. Foto de Ferhat Momad
Maputo, 15 Dez (AIM) – A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) recebeu, duas aeronaves próprias no âmbito do plano de reestruturação em curso, um passo considerado modesto, mas significativo, para a recuperação da companhia aérea de bandeira nacional.
As aeronaves chegaram ao país na noite do sábado e representam um investimento total de 25 milhões de dólares norte-americanos, avaliadas em 12,5 milhões de dólares cada.
Trata-se de duas aeronaves do tipo Embraer 190, com capacidade máxima para 100 passageiros cada, destinadas a reforçar a frota da transportadora aérea nacional.
Falando à imprensa no Aeroporto Internacional de Maputo, o Presidente do Conselho de Administração da empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Agostinho Langa, explicou que a chegada das aeronaves resulta de compromissos assumidos no processo de revitalização da empresa.
“Este é um pequeno passo para a LAM, mas é um grande passo para o país. Estão aqui duas aeronaves próprias da LAM, não são alugadas”, afirmou, sublinhando que os aviões possuem matrícula nacional “C9”, comprovando que pertencem à companhia.
Segundo Langa, as aeronaves chegaram em condições operacionais, tendo voado até Moçambique, e encontram-se certificadas ao nível europeu.
“São aviões certificados pela Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), voavam na Holanda, estão em perfeitas condições e com todas as manutenções feitas”, disse, acrescentando que ainda não ostentam as cores da LAM devido a constrangimentos na disponibilidade de oficinas de pintura.
A previsão é que sejam pintadas no início do próximo mês, antes de entrarem em operação comercial.
A fonte revelou ainda que a companhia já dispõe de tripulações em formação.
“Temos 20 pilotos treinados, 12 já estão no país e os restantes chegam nos próximos dias”, garantiu.
Falando durante o evento, o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, afirmou que o momento não é de celebração, mas de reconhecimento do esforço em curso.
“Não vimos celebrar, porque os desafios são enormes, mas reconhecemos com humildade o esforço que está a ser feito”, declarou.
Segundo o governante, a prioridade inicial foi estabilizar a empresa, encontrada “financeira e tecnicamente falida”.
Matlombe destacou que, nos últimos quatro meses, a LAM conseguiu inverter a tendência negativa.
“Pela primeira vez, as vendas estão a ser superiores às despesas”, afirmou, reconhecendo, no entanto, que o passivo acumulado continua a pesar sobre os resultados.
O ministro reiterou que o objectivo do Governo é garantir uma companhia aérea previsível, acessível e capaz de ligar o país com regularidade.
“Queremos acabar com os voos da madrugada e garantir conectividade entre as províncias”, disse, acrescentando que o Executivo trabalha também na abertura do mercado a outros operadores e na criação de mecanismos de integração tarifária.
Respondendo a questões sobre conectividade e horários, Agostinho Langa admitiu limitações, mas assegurou melhorias graduais.
“Estas duas aeronaves não resolvem todos os problemas, mas vão ajudar a reduzir as dificuldades de ligação entre províncias”, afirmou.
No final, a direcção da LAM reiterou que a reestruturação continuará ao longo de 2026 e 2027, com medidas mais profundas para tornar a empresa sustentável e competitiva.
(AIM)
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