Helicópteros de resgate sul-africanos prestam assistência às vítimas das cheias nos distritos da Manhiça e Magude
Maputo, 21 Jan (AIM) – As operações de assistência humanitária coordenadas pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), em colaboração com a Força Aérea da África do Sul, prosseguem nos distritos da Manhiça e Magude, na província meridional de Maputo, visando o resgate de populações cercadas pelas inundações.
A operação decorre num campo aberto do posto administrativo de 3 de Fevereiro, no distrito da Manhiça, e envolve cerca de meia dúzia de helicópteros militares sul-africanos destacados para apoiar as acções de salvamento.
Num ritmo intenso, enquanto um helicóptero levanta voo transportando ajuda humanitária, outro aterra trazendo cidadãos resgatados que se haviam refugiado no topo de casas, em árvores ou em pequenas elevações entre os cursos de água.
“Eu pensava que as águas não iriam encher a minha casa. De repente vi muita água, e subi em cima da casa, deixei os meus bois lá em baixo, tentei salvar os meus animais mas vi que a água era demais. Acabei ficando em cima da casa”, disse Efraim, à AIM, após ter sido resgatado por um helicóptero, molhado dos pés à cabeça.
Residente na Ilha Josina Machel, no distrito da Manhiça, Efraim contou que permaneceu durante quatro dias sobre a sua casa, na expectativa de que o nível das águas baixasse, permitindo-lhe retomar a sua vida normal.
Outra vítima, a idosa Marieta, também residente na Ilha Josina Machel, relatou ter visto as suas machambas serem devastadas pela força das águas. “Aquela água era muita meu filho. Eu corri para casa e levei minhas roupas e subi na casa com ajuda de uma escada”, contou.
De acordo com o mais recente boletim do INGD, referente ao período entre 21 de Dezembro de 2025 e segunda-feira (19), as cheias e inundações registadas em todo o território nacional provocaram a inundação de pelo menos 72.456 casas, das quais 1.603 ficaram totalmente destruídas.
No sector agrícola, mais de 105 mil hectares de áreas cultivadas estão inundadas, dos quais 37.330,59 hectares foram completamente perdidos, afectando um total de 47.269 agricultores.
Perante a magnitude do desastre, o vice-presidente do INGD, Gabriel Monteiro, reconheceu que os meios disponíveis são insuficientes para responder à dimensão da calamidade.
“Por isso, temos aqui nossos amigos de outros países, da África do Sul, que vieram nos ajudar, mas este fenômeno, de acordo com os nossos planos, estava fora daquilo que nós prevíamos, em termos de grandeza”, frisou Monteiro, num breve contacto estabelecido pela AIM.
Segundo o dirigente, apesar de a população ter sido alertada para a possibilidade de ocorrência de chuvas intensas e inundações, sobretudo nas regiões sul e centro do país, a situação ultrapassou as previsões iniciais.
Monteiro sublinhou ainda que a prontidão do INGD contribuiu para evitar perdas humanas mais elevadas, especialmente nas bacias hidrográficas dos rios Limpopo e Incomáti, graças ao funcionamento do sistema de aviso prévio.
“Havia uma comunicação; o sistema de aviso prévio funcionou, usando as rádios comunitárias, os comunitários locais de gestão de risco são uma organização comunitária também. Então, como vê aqui, as pessoas são recebidas por organizações de base comunitária”, afirmou.
Desde o início da época chuvosa e ciclónica, em Outubro de 2025, os fenómenos atmosféricos já causaram 112 mortes e 99 feridos, entre graves e ligeiros, em todo o país. A época chuvosa deverá prolongar-se até Abril próximo.
(AIM)
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