Portagem de Macaneta parcialmente submersa pelas cheias
Marracuene Moçambique), 21 Jan (AIM) – O transbordo do rio Incomati cortou, desde o final da tarde de terça-feira (20), a circulação rodoviária entre a vila de Marracuene e a localidade turística da Macaneta, na província de Maputo, sul de Moçambique, deixando perto de seis mil famílias afectadas e provocando prejuízos significativos em infra-estruturas públicas e privadas.
A água galgou completamente a estrada que liga Marracuene a Macaneta, submergindo a portagem da Macaneta e parte considerável da via pavimentada.
Em zonas como Hobjana, a estrada encontra-se totalmente submersa, enquanto em Machubo a principal via de acesso já está intransitável, agravando o isolamento das comunidades locais e comprometendo a mobilidade de pessoas e bens.
No local, a reportagem da AIM constatou o desespero das populações que pretendem fazer o trajecto Marracuene–Macaneta e vice-versa. Algumas pessoas chegam a arriscar a travessia em embarcações artesanais, colocando em perigo as suas vidas.
Na manhã de hoje, o presidente do Município de Marracuene, Shafi Sidat, deslocou-se às zonas afectadas através de uma embarcação, numa iniciativa que visava avaliar no terreno a dimensão do drama vivido pelas populações assoladas pelas cheias.
O edil percorreu áreas críticas para se inteirar do impacto real da subida das águas, sobretudo nas comunidades mais vulneráveis.
Para além das milhares de famílias afectadas, as cheias atingiram igualmente infra-estruturas turísticas da Macaneta, uma zona de grande importância económica para o município, aumentando as preocupações quanto ao impacto social e financeiro do fenómeno.
Face à gravidade da situação, as autoridades apelam às populações para evitarem circular nas zonas afectadas, atravessar áreas alagadas, mesmo a pé ou em viaturas, manterem-se atentas às informações oficiais e colaborarem com as equipas no terreno, priorizando sempre a protecção da vida humana.
A ocorrência das cheias surge numa altura em que o Governo e o Município de Marracuene prestavam apoio às vítimas das inundações no distrito da Manhiça, através da disponibilização de meios circulantes, como jetskis e viaturas, bem como de meios humanos.
Marracuene despachou para Manhiça, onde a situação é descrita como grave, 11 nadadores-salvadores profissionais empenhados em operações de busca, salvamento e apoio às comunidades afectadas.
Paralelamente, o Município de Marracuene continua a intervir nos bairros da sua área administrativa, mobilizando equipas técnicas e maquinaria com vista a minimizar o sofrimento das famílias afectadas.
Num momento de dor e incerteza, destaca-se a união das bancadas dos três partidos com assento no órgão municipal — Frelimo, Renamo e Movimento Democrático de Moçambique (MDM) — que trabalham lado a lado, deixando de parte divergências políticas para apoiar as populações.
(AIM)
Paulino Checo/sg
