Maputo, 3 Set (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, exigiu hoje um maior protagonismo do sector segurador na construção da independência económica de Moçambique, defendendo que as seguradoras devem, para além de proteger a economia contra riscos, contribuir para o financiamento do crescimento nacional.
Chapo falava em Maputo na cerimónia de abertura do Simpósio dos 15 Anos da Índico Seguros, subordinado ao tema “Os Seguros em Moçambique: Evolução Histórica e Perspectivas Futuras”, ocasião em que desafiou as companhias de seguros a ampliarem a sua contribuição para o desenvolvimento do país.
“Não queremos apenas seguradoras que protejam o crescimento. Queremos também seguradoras que participem no financiamento desse crescimento”, afirmou o Chefe do Estado.
Segundo Chapo, as seguradoras são, pela sua própria natureza, investidores institucionais e devem contribuir, observando critérios de segurança, prudência e salvaguarda dos interesses dos segurados, para a mobilização de recursos destinados ao financiamento do desenvolvimento nacional.
Explicou que os recursos mobilizados pelo sector podem ajudar a financiar investimentos em áreas como estradas, habitação, indústria, energia e agricultura, contribuindo para transformar a poupança nacional em investimento produtivo, emprego, empresas e riqueza.
“A Independência Económica não depende apenas da quantidade de recursos que o País possui. Depende também da nossa capacidade de mobilizar a poupança nacional e transformá-la em investimento produtivo, emprego, empresas e riqueza para o país”, afirmou.
O Presidente considera que o reforço do papel económico das seguradoras deve ser acompanhado pela expansão do acesso aos seguros, sobretudo para os segmentos da população e da economia actualmente menos protegidos.
Apontou como prioridade o acesso de agricultores, pescadores, comerciantes, transportadores, empreendedores e pequenas e médias empresas a produtos adequados às suas necessidades e capacidade financeira.
“Precisamos, para isso, de micro-seguros, seguros agrícolas, seguros paramétricos e outros produtos acessíveis e adequados à nossa realidade”, disse.
Para Chapo, a inclusão financeira não deve limitar-se ao acesso a uma conta bancária ou carteira móvel, devendo igualmente permitir que famílias e pequenos negócios protejam aquilo que levaram anos a construir.
Defendeu igualmente uma maior aposta na digitalização e inovação do sector, destacando o potencial da Inteligência Artificial, das insurtechs, dos seguros móveis e dos novos modelos digitais de distribuição.
As mudanças climáticas constituem, segundo Chapo, outro desafio que deve merecer atenção do sector segurador, tendo em conta a exposição de Moçambique a ciclones, cheias, secas e outros eventos climáticos extremos.
Defendeu ainda que o país deve passar de uma abordagem centrada na resposta às calamidades para uma cultura de antecipação, prevenção e gestão do risco.
“Em Moçambique, falar de seguros é também falar de resiliência”, sublinhou.
O Chefe do Estado apontou ainda a confiança como elemento fundamental para o crescimento da actividade seguradora, defendendo que quem contrata um seguro deve ter a garantia de que, perante um sinistro, encontrará uma instituição solvente, transparente e preparada para cumprir as suas obrigações.
“Quanto maior for a confiança dos cidadãos, maior será a penetração dos seguros na nossa economia”, afirmou.
Neste contexto, considerou que o crescimento do sector deve ser acompanhado por boa governação, supervisão, integridade, responsabilidade, competência, transparência e protecção do consumidor.
Na sua intervenção, Chapo associou igualmente o fortalecimento do sector segurador à necessidade de desenvolver empresas moçambicanas fortes, capazes de investir, inovar, competir e conquistar mercados dentro e fora do país.
“Não pretendemos construir uma economia fechada. Moçambique continuará aberto ao investimento estrangeiro, ao conhecimento, à tecnologia, ao financiamento e às parcerias internacionais”, garantiu.
Segundo o Presidente, a abertura ao investimento estrangeiro deve coexistir com o fortalecimento do empresariado nacional e do capital moçambicano.
“Acarinhar as empresas nacionais não significa protegê-las da concorrência; significa criar condições para que possam competir e conquistar o seu espaço pela qualidade dos seus produtos e serviços”, afirmou.
Chapo defendeu ainda que as empresas nacionais devem assumir elevados padrões de governação, transparência, integridade, responsabilidade fiscal, valorização dos trabalhadores e investimento na juventude e na mulher.
“Ser uma empresa nacional não deve significar apenas ter capital ou accionistas moçambicanos. Deve significar criar valor em Moçambique e para Moçambique”, afirmou.
Na ocasião, o Presidente felicitou os accionistas, gestores, trabalhadores, parceiros e clientes da Índico Seguros pelos 15 anos de actividade, considerando que o percurso da companhia demonstra a capacidade de uma empresa moçambicana crescer e conquistar espaço num mercado competitivo.
Saudou igualmente a aquisição e instalação da nova sede da companhia, na Avenida Julius Nyerere, na Cidade de Maputo, considerando o investimento uma decisão estratégica de longo prazo e um sinal de património, estabilidade e confiança.
No final, Chapo desafiou o sector segurador a fazer dos próximos anos um período de massificação, inovação e inclusão.
“Queremos seguros para mais moçambicanos, para mais empresas, para a agricultura, para os novos riscos climáticos e tecnológicos e para os investimentos que estão a transformar o País”, afirmou.
“Porque segurar é proteger aquilo que conquistámos e criar confiança para construir aquilo que ainda queremos alcançar”, declarou.
O Presidente da República declarou oficialmente aberto o Simpósio dos 15 Anos da Índico Seguros, manifestando a expectativa de que o sector segurador contribua para a construção de um Moçambique mais forte, produtivo, resiliente e economicamente independente.
(AIM)
SNN
