Rio Incomáti. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 21 Jan (AIM) — O risco de ruptura da Barragem de Senteeko, localizada na África do Sul, poderá comprometer o abrandamento das inundações nos distritos de Magude e Manhiça, na província de Maputo, bem como atrasar a reabertura da Estrada Nacional Número Um (EN1), alerta o director nacional de Gestão de Recursos Hídricos, Agostinho Vilanculos.
Construída no rio Crocodilo, um dos afluentes do rio Incomáti, a Barragem de Senteeko possui uma capacidade de armazenamento de cerca de 1,8 milhões de metros cúbicos. Contudo, devido às chuvas intensas, ultrapassou os limites de segurança e, em caso de ruptura, poderá gerar um caudal de pico entre 2.300 e 2.500 metros cúbicos por segundo em Ressano Garcia, com possibilidade de atingir Magude.
“Neste momento estamos com aproximadamente 09 metros [de altura das águas], e se recebermos mais um volume desses, essa altura pode crescer, situar-se acima de 10 metros, e consequentemente pode agravar as inundações à jusante, especialmente em Xinavane, a ilha Josina-Machel e as comunidades que vivem nas zonas baixas de Palmeiras e de 3 de fevereiro”, disse.
Segundo o responsável, este cenário poderá retardar o início do abaixamento das águas, mantendo submersos por mais tempo alguns troços da EN1 e provocando danos adicionais na infra-estrutura rodoviária.
As autoridades sul-africanas estão a desenvolver acções para evitar o pior, tendo já mobilizado especialistas em segurança de barragens. Estes “colocaram uma tela geotéstica para mitigar o efeito da erosão”, tendo em conta que se trata de uma barragem de terra.
Face à situação, a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) apela às comunidades que vivem à jusante de Magude, sobretudo em Xinavane e na ilha Josina Machel, para continuarem afastadas das zonas de risco.
Apesar do quadro de incerteza, Vilanculos mostrou algum optimismo quanto à evolução da situação. “As chuvas vão abrandando e, se o rompimento da Barragem de Senteeko não acontecer, podemos ter dias melhores nos próximos dias”.
No plano nacional, o responsável actualizou a situação hidrológica, indicando que o país mantém cerca de sete bacias hidrográficas em alerta. Na região sul, continuam sob vigilância as bacias do Maputo, Umbeluzi, Incomáti, Limpopo, Inhanombe e Save, esta última em alerta desde terça-feira, com níveis em subida, embora sem previsão de grandes impactos para as comunidades locais.
Ainda assim, mantém-se o apelo para que a população evite a travessia do rio Save e se afaste das margens dos rios.
Na região centro, as bacias do Búzi, Púnguè e Mafambisse permanecem com níveis elevados. A bacia do Zambeze encontra-se em alerta em diferentes pontos, recebendo caudais elevados que estão a fluir para a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, não constituindo, para já, grande perigo para a população.
No sul, a Barragem de Massingir reduziu as descargas, passando de cerca de 14 mil metros cúbicos por segundo, registados nos últimos oito dias, para aproximadamente três mil metros cúbicos por segundo.
Esta redução está a permitir o abaixamento gradual do nível das águas em Chókwè, actualmente com cerca de 8,5 metros, contra um pico que atingiu quase 10 metros.
“Está a baixar gradualmente, mas os volumes de água ainda são elevados, e o risco de cheias ainda existe. Só para termos uma ideia, só podemos levantar o alerta quando nós chegamos a cerca de 4,5 metros, e neste momento estamos com cerca de 8,5 metros”, concluiu.
(AIM)
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