Combustível vendido a preços especulativos no mercado informal no distrito de Magude, província de Gaza
Magude (Moçambique), 28 Jan (AIM) – As cheias provocadas pelas chuvas intensas e pelo transbordo dos principais rios lançaram o distrito de Magude, na província de Maputo, numa grave crise de abastecimento, com destaque para a escassez de combustível, cujo litro está a ser comercializado a 200 meticais (cerca de 3,12 dólares) no mercado informal.
A situação compromete seriamente a mobilidade, a assistência humanitária e o funcionamento das instituições públicas no distrito.
Actualmente, todas as gasolineiras e pontos de reserva de combustível em Magude encontram-se sem stocks. Esta realidade está a limitar as operações de resgate das famílias sitiadas pelas águas, bem como a circulação de pessoas e bens no interior do distrito.
A crise afecta igualmente o próprio governo distrital, que enfrenta dificuldades para se deslocar aos postos administrativos considerados críticos para a prestação de assistência humanitária e para a monitoria dos impactos das cheias.
Em entrevista à AIM, a administradora do distrito de Magude, Mariana Cupane, reconheceu a gravidade da situação e as limitações enfrentadas pelas autoridades locais.
“Como governo não temos como prestar uma assistência directa neste momento, porque, como disse, nós não temos combustível. Mesmo para nós, como governo, circular está a ser difícil”, afirmou.
Segundo Cupane, a resposta imediata tem sido possível graças à solidariedade local.
“Contamos com reservas que algumas empresas tinham e, neste momento, agradecer mesmo aos nossos parceiros, aos empresários do distrito e a toda a população, porque a empatia foi maior. Quando não havia como trazer comida para Magude, a população respondeu positivamente, apoiando-se mutuamente”, sublinhou.
Para ultrapassar a crise, o governo distrital deposita esperanças no comboio humanitário de carga dos Caminhos de Ferro de Moçambique, que deverá partir de Maputo rumo a Magude na quarta-feira (28), podendo trazer combustível para aliviar a situação.
Os impactos das cheias e da escassez de combustível estendem-se a sectores vitais, como a saúde e a economia local.
“No sector da saúde, podemos dizer que perdemos vacinas, ainda por quantificar, porque não tínhamos energia para a sua devida conservação”, explicou a administradora.
A economia local foi igualmente afectada, com prejuízos directos para as famílias.
“Magude é o maior produtor de carne da província de Maputo e os talhos não tinham condições de conservar a carne, o que afectou directamente o rendimento das famílias.”
Entretanto, vendedores informais de combustível revelaram à AIM que percorrem longas distâncias a pé para obter o produto no distrito da Macia, em Taninga, enfrentando riscos acrescidos devido à falta de transitabilidade rodoviária.
“Caminhamos a pé até Taninga à procura de combustível. Por vezes seguimos pela linha férrea até Manhiça para trazer o produto, por isso vendemos a esse preço”, explicou um comerciante ouvido pela AIM.
(AIM)
Paulino Checo /sg
