Maputo, 01 de Fev (AIM) – A Central Térmica de Temane (CTT), um dos maiores projectos energéticos de Moçambique, anunciou esta semana a abertura de novas oportunidades de negócio para o empresariado da província de Inhambane, zona sul do país, no âmbito da próxima fase de construção da central, agora sob responsabilidade da nova construtora turca ENKA.
No quadro da sua política de conteúdo local, a CTT promoveu um encontro com empresários nacionais, sobretudo sedeados na província de Inhambane, durante o qual foram partilhadas as necessidades de aquisição de bens e serviços, ao mesmo tempo que foi oficialmente apresentado o novo empreiteiro responsável pela execução da fase final do projecto.
Durante o encontro, o novo empreiteiro ENKA, detalhou as necessidades remanescentes de aquisição de serviços e fornecimentos, abrindo espaço para a participação activa de empresas moçambicanas, sobretudo de Inhambane.
A iniciativa surge num contexto de expectativa e preocupação por parte do sector privado local, depois da paralisação das obras desde Abril do ano passado, em resultado de um impasse contratual com o anterior empreiteiro.
Para muitos empresários, o encontro representou um sinal claro de retoma efectiva do projecto e de inclusão do empresariado local na cadeia de valor.
Segundo informações apuradas pela AIM junto de fonte fiável da Globeleq, líder do consórcio da CTT, a contratação da construtora turca ENKA garante a retoma e conclusão das obras da central a gás natural de 450 megawatts (MW), considerada o maior projecto de geração de energia em Moçambique no período pós-independência.
Após a sua entrada em operação, estima-se que a central venha a beneficiar directamente cerca de 800 mil famílias, reforçando de forma significativa a segurança energética nacional e impulsionando o desenvolvimento económico da região sul do país.
Num workshop bastante concorrido, a ENKA apresentou os procedimentos de contratação, os requisitos técnicos e administrativos, bem como as categorias de serviços que estarão abertas à participação local, incluindo logística, transporte, fornecimento de materiais, manutenção, serviços gerais e apoio técnico.
A reunião contou com a presença das autoridades distritais de Inhassoro, representantes da CTT e dezenas de empresários locais, que manifestaram interesse nas oportunidades apresentadas.
Para os organizadores, o evento materializou o compromisso da CTT em garantir transparência e inclusão, assegurando que os benefícios económicos do projecto circulem na comunidade anfitriã.
A ENKA İnşaat ve Sanayi A.Ş, empresa cotada na Bolsa de Istambul e com vasta experiência internacional em engenharia e construção, assumiu formalmente a empreitada da CTT a 5 de Dezembro de 2025, ao abrigo de um contrato celebrado com a Central Térmica de Temane, S.A.
Num comunicado divulgado na altura, a empresa comprometeu-se a concluir as obras num prazo de 23 meses, apontando o comissionamento operacional para 2027.
O projecto, orçado em cerca de 650 milhões de dólares, tem registado vários adiamentos desde 2024, motivados por factores técnicos, financeiros e ambientais, incluindo a passagem de ciclones pela província de Inhambane.
O anterior empreiteiro, a espanhola TSK, abandonou o estaleiro com aproximadamente 80 por cento da execução física concluída.
A central prevê a instalação de cinco turbinas a gás, cinco geradores de vapor de recuperação de calor, uma turbina a vapor e uma unidade de refrigeração a ar. A CTT resulta de uma parceria público-privada entre a Globeleq, a Electricidade de Moçambique (EDM) e a SASOL, com uma concessão de 25 anos.
(AIM)
Paulino Checo
