Campos de cana-de-açúcar destruídos pelas cheias no distrito de Magude, província de Gaza
Maputo, 13 Fev (AIM) – A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, advertiu para a ameaça que o ciclone tropical GEZANI representa para áreas agrícolas que não haviam sido atingidas pelas chuvas intensas que, em meados de Janeiro último, provocaram inundações nas regiões centro e sul de Moçambique.
Falando momentos antes do início da 7ª sessão ordinária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSAN), hoje (13) em Maputo, Levi reiterou que o ciclone GEZANI, que se encontra actualmente no Canal de Moçambique, deverá atingir o país através da província de Inhambane.
“Neste exacto momento estamos perante uma ameaça forte; portanto, tudo indica que o dia de hoje teremos a chegada de mais um ciclone que vai devastar áreas que não foram atingidas pelas cheias iniciais”, disse.
“Isso vai agravar certamente, aquilo que é a nossa segurança alimentar e nutricional”, acrescentou.
Referindo-se às inundações provocadas pelas chuvas intensas no início de Janeiro, Levi reconheceu que foram bastante severas e que as suas consequências continuam visíveis, devendo persistir nos próximos meses.
O impacto recai directamente sobre as populações afectadas, colocando em risco a segurança alimentar e nutricional, “porque parte dessas populações são as populações que produzem alimentos, que alimentam outras populações que, em princípio, não foram directamente atingidas”.
Entretanto, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) informou que o GEZANI enfraqueceu e passou à categoria de depressão tropical sobre Madagáscar, mantendo o seu movimento progressivo já no Canal de Moçambique.
Segundo um comunicado da instituição, o sistema tem potencial para afectar as províncias de Sofala, Inhambane e Gaza, deslocando-se com ventos médios de 120 quilómetros por hora e rajadas até 170 quilómetros por hora.
O INAM prevê ainda chuvas fortes acompanhadas de trovoadas severas, que poderão fazer-se sentir nos distritos de Govuro, Inhassoro, Vilankulo, Massinga, Morrumbene, Homoíne, Jangamo, Inharrime e Zavala, bem como nas cidades de Maxixe e Inhambane. Em Gaza, o impacto poderá abranger os distritos de Mandlakazi, Chongoene, Limpopo e a cidade de Xai-Xai.
As inundações destruíram mais de 450 mil hectares agrícolas e provocaram a morte de cerca de 430 mil animais nas províncias de Gaza, Maputo e parte de Sofala.
As chuvas causaram ainda 22 mortes, nove desaparecidos e 45 feridos, tendo afectado mais de 700 mil pessoas e inundado cerca de 165 mil habitações.
A época chuvosa e ciclónica deverá encerrar em Abril próximo, após ter iniciado em Outubro de 2025.
(AIM)
