Cheias 2026,. Foto arquivo de Ferhat Momade
Maputo, 12 Mar (AIM) – As chuvas registadas nas últimas 24 horas afectaram mais de 500 famílias nas províncias de Gaza e Inhambane, sul de Moçambique, provocando inundações em habitações, isolamento de comunidades e perdas de culturas.
Na província de Inhambane, cerca de 800 pessoas foram afectadas, tendo sido inundadas 71 habitações e destruídos aproximadamente 306 hectares de diversas culturas.
Actualmente, pelo menos 560 famílias encontram-se isoladas no distrito de Inharrime, devido à intransitabilidade de algumas vias e à submersão de pontes.
A informação foi avançada hoje, em Maputo, pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi, durante o segundo e último dia da sessão de Perguntas ao Governo, que decorre na Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano.
Em Gaza, concretamente no distrito de Mandlakazi, as chuvas provocaram inundações em 518 habitações, danos em infra-estruturas escolares e no Centro de Saúde de Chizavane, além da perda de cerca de 2.732 hectares de diversas culturas.
Na mesma província, os postos administrativos de Nalazi, Chivongoene, Mubangoene, Massangena e Chigubo encontram-se isolados.
“Continuamos a monitorar a situação e, na sequência, já foram mobilizadas equipes multissectoriais para prestar assistência humanitária e proceder à avaliação dos danos”, afirmou a Primeira-Ministra.
Benvinda Levi apelou à população que vive em zonas propensas a cheias, sobretudo nas planícies e bacias hidrográficas, a seguir as orientações das autoridades competentes.
“a acatar as orientações das instituições competentes, de forma a prevenir a perda de vidas humanas e de bens materiais”.
A governante sublinhou ainda a importância da colaboração da população nas campanhas de pulverização e tratamento da água para prevenir a ocorrência de doenças endémicas.
Segundo dados apresentados, a época chuvosa e ciclónica, iniciada em Outubro de 2025, já provocou 258 mortes, 331 feridos e 12 desaparecidos, afectando um total de 869.031 pessoas em todo o país.
Como forma de aumentar a resiliência do país face aos eventos climáticos extremos, o Governo pretende reforçar o sistema de aviso prévio e melhorar a capacidade de resposta aos desastres naturais.
Entre as medidas previstas figuram a expansão do mapeamento das zonas de risco, o reassentamento de populações em áreas seguras e a promoção da construção de infra-estruturas resilientes.
O Executivo prevê igualmente reabilitar e construir barragens, represas, diques e sistemas de drenagem para melhorar a gestão dos recursos hídricos.
“Acreditamos que a realização destas e outras acções irá contribuir, por um lado, para que os parcos recursos de que dispomos não sejam utilizados, de forma recorrente, na reabilitação e, ou reconstrução das mesmas infra-estruturas que são destruídas sempre que ocorre desastres naturais e, por outro, direccionar esses fundos para novos programas e projectos de desenvolvimento económico e social”, afirmou.
(AIM)
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