Crónica de mais de uma década de apoio agrícola do Grupo Yuxiao de Jinan na Zambézia, Moçambique
Maputo, 19 de Junho (AIM)- A província da Zambézia situa-se no centro de Moçambique, junto ao Oceano Índico. É uma importante província agrícola do país e, ao mesmo tempo, a região central dos investimentos mineiros do Grupo Yuxiao de Jinan em África.
Nos arredores da capital, Quelimane, as empresas mineiras do grupo extraem, das profundezas das camadas vermelho-ocre do solo, zircónio, titânio e areias pesadas e, sobre as terras já exploradas e niveladas, entregam aos agricultores locais extensos arrozais, campos de mandioca e maquinaria agrícola.
A agricultura é o alicerce de Moçambique. Cerca de setenta por cento da população deste país do Sudeste Africano vive da agricultura, mas a produção assenta há muito na chuva e na pequena exploração familiar, carecendo de boas sementes e de maquinaria, e com fraca capacidade de resistência a catástrofes.
Ciclones tropicais intensos como o Idai, em 2019, e o Freddy, em 2023, destruíram repetidamente campos e habitações nas províncias costeiras. Para os agricultores que foram deslocados devido à construção das zonas mineiras e perderam as suas terras de origem, um campo capaz de produzir alimento de forma estável e um tractor capaz de lavrar a terra são, muitas vezes, o apoio que permite a uma família reerguer-se.
De um tractor, em 2013, até à constituição, registada em 2026, da África Yuxiao Tecnologia de Sementes, Lda., o apoio agrícola do Grupo Yuxiao de Jinan em Moçambique percorre mais de uma década fazendo, no fundo, sempre a mesma coisa — apenas avançando passo a passo para mais fundo: primeiro dar terra para cultivar às famílias reassentadas; depois dar-lhes meios para a trabalhar; e, por fim, fazer nascer desta terra uma indústria sustentável e quadros locais.
90,8 hectares — Total de campos agrícolas doados gratuitamente
317 mil pessoas — Residentes beneficiados pelo apoio agrícola
5 espécies — Culturas oleaginosas e alimentares em ensaio
6 500 hectares — Dimensão prevista de arrendamento para exploração em larga escala
I Distribuir a terra pelas mãos das famílias reassentadas
Em Julho de 2019, os habitantes do bairro de reassentamento de Mitange, na província da Zambézia, posaram para uma fotografia diante das parcelas que lhes tinham acabado de ser atribuídas. No dia 4 de Julho desse ano, a África Grande Muralha Desenvolvimento Mineiro, Lda., empresa do Grupo Yuxiao de Jinan, doou aos residentes do bairro de reassentamento 56 talhões de arrozal e 160 talhões de mandioca, num total de 10,8 hectares. A rádio local noticiou em seguida que os habitantes se mostravam satisfeitos com as novas casas e com os campos recém-atribuídos.
Na perspectiva da empresa, reassentar não se esgota em mudar as pessoas de lugar: é preciso que as famílias deslocadas consigam recomeçar e viver com estabilidade. A compensação mais concreta não é, muitas vezes, dinheiro entregue de uma só vez, mas um campo capaz de produzir alimento ano após ano.
A 11 de Fevereiro de 2023, após o nivelamento e a divisão das terras em talhões, a África Grande Muralha Desenvolvimento Mineiro, Lda. doou 10 hectares de campos às 25 famílias por si reassentadas no distrito de Inhassunge, entregando-os juntamente com as culturas que já reverdeciam no terreno, de modo a que os agricultores pudessem ter colheita logo na época em curso.
Os beneficiários não foram apenas as famílias reassentadas. A Kronos Mineração, Lda., também do Grupo Yuxiao de Jinan, desenvolveu localmente 70 hectares de campos agrícolas, semeou-os de forma uniforme e distribuiu-os gratuitamente às famílias vizinhas; o administrador do distrito de Chinde participou na cerimónia de doação e testemunhou a entrega. No conjunto, os três projectos doaram gratuitamente 90,8 hectares de campos agrícolas, beneficiando famílias que outrora se afligiam com a falta de terra.
II Levar a maquinaria agrícola até às aldeias
Ter terra não basta: é preciso poder trabalhá-la. O nível de mecanização agrícola em Moçambique é baixo e os agricultores cultivam sobretudo com a força humana e animal, tendo grande dificuldade em semear a tempo na época das chuvas e em combater a seca na estação seca. Um tractor consegue, muitas vezes, substituir dezenas de braços.
Já em 2013, a Haiyu Moçambique Mineração, Lda., empresa do Grupo Yuxiao de Jinan, investiu cerca de 2 575 000 meticais (aproximadamente 40 000 dólares norte-americanos) na aquisição de um tractor e de alfaias agrícolas, para apoiar o desenvolvimento da agricultura local, melhorar os meios de subsistência das famílias rurais e aumentar o rendimento dos residentes. Depois de entrar na linha da frente da produção, esta maquinaria fez com que o apoio agrícola beneficiasse cerca de 316 783 residentes.
Levar a tecnologia agrícola até ao campo exige não só equipamento, mas também meios de transporte capazes de percorrer os caminhos rurais de terra. Em Junho de 2024, a pedido da Direcção local de Economia Agrícola e da administração do posto, a África Grande Muralha Desenvolvimento Mineiro, Lda. doou à Direcção de Agricultura duas motorizadas, no valor de cerca de 150 000 meticais (aproximadamente 2 300 dólares), para utilização dos técnicos agrários nas suas deslocações de divulgação pelo meio rural. A Direcção de Agricultura enviou, para o efeito, uma carta de agradecimento.
III Da «transfusão de sangue» à «produção do próprio sangue»
Em Janeiro de 2026, o Grupo Yuxiao de Jinan registou a constituição da África Yuxiao Tecnologia de Sementes, Lda., marcando a passagem do apoio agrícola do grupo de doações pontuais para uma exploração industrial dotada de investigação científica, de normas e de sustentabilidade — a transição da «transfusão de sangue» para a «produção do próprio sangue».
Seguindo a lógica de «ensaiar primeiro, apoiar na ciência, desenvolver em escala», a empresa de tecnologia de sementes desdobra a sua implantação em simultâneo por várias zonas de Moçambique. Numa fase inicial, concluiu vários relatórios de viabilidade sobre o cultivo agrícola em Moçambique, submetidos à apreciação da sede em Maputo. Nas zonas mineiras de Quelimane (áreas 4092 e 7407), a empresa realiza ensaios pioneiros, acompanhando o cultivo e o crescimento de culturas como o rícino, o arroz e o caju, fazendo avançar em paralelo a produção de viveiros, o transplante e a expansão da área cultivada, a domesticação de sementes locais e a recuperação dos solos.
Entre elas, o rícino e o arroz progridem favoravelmente, tendo parte das culturas já entrado na fase de maturação com bom desenvolvimento, o que confirma, numa primeira avaliação, a viabilidade do cultivo na região.
Na fazenda de Beira-Búzi, a empresa lançou ensaios de cultivo de sésamo e girassol; o sésamo já entrou na fase de maturação e os resultados dos ensaios correspondem às expectativas. O rícino, o sésamo e o girassol são todos culturas oleaginosas, indo precisamente ao encontro da necessidade real de Moçambique de ampliar a auto-suficiência em óleo alimentar e em óleo de uso industrial.
A empresa está a fazer avançar o arrendamento de cerca de 6 500 hectares de terra nesta fazenda, tendo já concluído as negociações preliminares e a elaboração do projecto de contrato; reúne condições para uma exploração em larga escala e começou a organizar uma conferência sino-moçambicana sobre culturas oleaginosas, para promover o intercâmbio técnico e a cooperação industrial.
A investigação científica é o alicerce da «produção do próprio sangue». A empresa estabeleceu já contactos com a Faculdade de Agronomia da Universidade Eduardo Mondlane — a mais alta instituição agrária de Moçambique — e planeia, em conjunto com instituições chinesas de investigação agrícola e unidades de investigação moçambicanas, impulsionar a criação de um centro de investigação agrícola e fazer avançar, de forma articulada, questões-chave como as licenças de introdução de sementes.
No plano da conformidade legal, a empresa está a tratar, em Nipepe, Beira e Quelimane, da obtenção de alvarás comerciais, da colocação de técnicos agrários e do pedido de licenças de sementes, assegurando a concretização do negócio no terreno.
Uma busca como esta não está isolada em África. Ao longo de muitos anos, as equipas técnicas agrícolas chinesas têm divulgado em África o arroz híbrido e o capim Juncao e apoiado a construção de centros de demonstração de tecnologia agrícola, contribuindo já para o aumento da produção e do rendimento em vários países.
Na província de Gaza, no sul de Moçambique, o projecto de cooperação agrícola sino-africana de Xai-Xai beneficiou mais de 2 000 famílias de agricultores locais; na Zambézia, no centro do país, os ensaios de sementes do Grupo Yuxiao de Jinan também já arrancaram.
“As minas têm sempre um prazo de exploração, mas a terra e as sementes podem alimentar geração após geração. O que esperamos deixar não é apenas uma mina, mas um campo que continue a produzir alimento e uma equipa agrícola que não se possa levar daqui”
As sementes que aquele pé de rícino produzir hão-de ficar na região para continuar a domesticação e a expansão do cultivo. Crescem nesta terra — e crescem também para dentro dos dias futuros das gentes daqui.
De um tractor, aos arrozais entregues um a um às mãos das famílias reassentadas, e daí a uma empresa de tecnologia de sementes que aqui criou raízes, o apoio agrícola do Grupo Yuxiao de Jinan em Moçambique, ao longo de mais de uma década, fez sempre apenas uma coisa — fazer com que quem vive da terra a cultive cada vez melhor.
Esta é a retribuição mais concreta de uma empresa mineira à terra que acolhe os seus recursos; e faz com que a construção conjunta de alta qualidade da Iniciativa Faixa e Rota e a edificação de uma comunidade de futuro partilhado entre a China e África na nova era se traduzam, na terra vermelha da Zambézia, em espigas de arroz e em sementes que se sucedem colheita após colheita.
