Lisboa, 18 Mar (AIM) – A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa seleccionou 25 projectos para a terceira edição do Programa CPLP Audiovisual (PAV III), com destaque para Moçambique, representado pela longa-metragem “O julgamento das coisas não vistas”, do realizador Jared Óscar José de Oliveira Nota.
O anúncio foi feito na sede da organização, em Lisboa, marcando mais um passo na promoção da produção cinematográfica no espaço lusófono. No total, o programa vai apoiar sete longas-metragens e 18 curtas-metragens nas áreas de documentário e ficção.
A presença moçambicana nesta selecção reforça a crescente afirmação do país no panorama audiovisual da língua portuguesa, num processo altamente competitivo que contou com 591 candidaturas iniciais, das quais apenas 79 avançaram para a fase de pré-selecção.
Além de Moçambique, integram a lista final projectos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal e São Tomé e Príncipe, reflectindo a diversidade cultural e criativa dos países membros.
A produção das obras seleccionadas deverá iniciar a partir de 1 de Maio, com estreia prevista para 2027 na rede de televisões públicas dos nove Estados-membros da CPLP. Os apoios financeiros podem atingir até 65 mil euros para longas-metragens e 18 mil euros para curtas.
Na abertura da cerimónia, o director-geral da CPLP, Miguel Pedro Sousa Monteiro, destacou a importância estratégica do programa para o fortalecimento da identidade cultural comum.
“É fundamental valorizar e difundir a diversidade cultural do espaço lusófono”, afirmou, sublinhando que o investimento no audiovisual representa também um investimento “na nossa memória colectiva, na criatividade dos nossos povos e no futuro da cultura em Língua Portuguesa”.
O responsável acrescentou que o programa contribui para ampliar a circulação de histórias e talentos entre os países membros. “O Programa CPLP Audiovisual, enquanto instrumento de promoção da criação audiovisual em Língua Portuguesa, contribui para a circulação de histórias, talentos e perspectivas que reflectem a riqueza cultural e a diversidade das sociedades da CPLP”, disse.
O processo de selecção incluiu oficinas de desenvolvimento e capacitação, culminando com a avaliação final por um júri internacional composto por especialistas de vários países, incluindo Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde e Moçambique.
No evento, foram também apresentadas as principais actividades previstas para 2026, no âmbito das celebrações dos 30 anos da CPLP, com destaque para a realização da Conferência Internacional do Audiovisual da CPLP, prevista para Novembro desse ano.
O coordenador da unidade técnica do programa, Mário Borgneth, considerou que esta edição tem decorrido de forma “positiva” e “altamente qualificada”, sublinhando o nível técnico e criativo dos projectos submetidos.
Para além do financiamento à produção, o programa aposta na formação e na criação de redes de colaboração entre produtores independentes e televisões públicas, através da Rede CPLP Audiovisual.
Com esta iniciativa, a CPLP reforça o seu papel na promoção da cultura e da indústria criativa, abrindo novas oportunidades para cineastas moçambicanos levarem as suas histórias a públicos mais amplos e consolidarem a sua presença no cenário internacional.
(AIM) DM
