Antigo Presidente moçambicano, Joaquim Chissano, distinguido em Bissau pela valorização e promoção da CPLP
Paulino Checo, da AIM, em Bissau
Bissau (Guine), 18 Jul (AIM) – O antigo estadista moçambicano, Joaquim Chissano, foi hoje distinguido em Bissau, na XV Cimeira dos Chefes do Estados e Governos da CPLP com o prémio “José Aparecido de Oliveira” pela defesa, valorização e promoção dos princípios, valores e objectivos da CPLP.
Chissano partilha o premio com Maria do Carmo Silveira, anterior secretária executiva da CPLP, que também desempenhou papel notável no desenvolvimento da organização.
Na hora de receber o prémio, Chissano destacou as valências de José Aparecido de Oliveira, considerando um homem visionário e interessado com a unidade dos países falantes da língua portuguesa.
“É com agrado porque o prémio é nome de uma pessoa que trabalhou comigo desde o princípio para a criação da CPLP. Visitou Moçambique e depois continuamos em outros passos para a construção da CPLP. Era um homem visionário que estava muito interessado na unidade dos países que falam a língua portuguesa, mas também definia que a língua portuguesa ia nos unir para construirmos relações em várias esferas, cultural, diplomática, etc”, disse Chissano a imprensa.
Chissano diz acreditar que os objectivos da criação da CPLP estão a ser alcançados através da língua. “Estamos a utilizar essa língua para resolver problemas”, vinca, Chissano, realçando que foram necessários vários debates para a língua portuguesa se firmar como um instrumento ou veículo importante para a cooperação.
Alerta que, actualmente, persiste o desafio de unir os países para tirarem um máximo proveito do espaço CPLP. “Tirar proveito desta vontade de cooperar com os outros países. A CPLP são países dispersos que não têm uma continuidade geográfica mas, mesmo assim, têm um impacto e está a atrair outros países”, disse.
O prémio, foi criado em honra do ex-embaixador do Brasil em Lisboa que se empenhou na criação da CPLP, instituído em 2011 para reconhecer e homenagear personalidades e instituições que se distingam na defesa, valorização e promoção dos princípios, valores e objectivos da CPLP.
A cimeira, que premiou Chissano, marcou a transição da presidência da comunidade de São Tomé e Príncipe para a Guiné-Bissau.
Pela primeira vez, em 29 anos da organização de países de língua portuguesa, que Portugal não esteve representado ao mais alto nível, cabendo ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, representar o país.
Os chefes de Estado e de Governo elegeram igualmente o novo secretário executivo da CPLP para o período de 2025 a 2027, a diplomata e ex-ministra angolana Maria de Fátima Jardim para substituir o timorense Zacarias da Costa.
A cimeira foi palco do debate político sobre “Soberania Alimentar: Um Caminho para o Desenvolvimento Sustentável”, o tema escolhido pela Guiné-Bissau para os próximos dois anos na presidência da comunidade.
Para o Governo guineense, garantir a soberania alimentar no espaço da CPLP “é mais do que assegurar a produção de alimentos, é garantir a dignidade dos povos, a resiliência das nações e a estabilidade das sociedades”.
(AIM)
PC/sg
