Maputo, 01 Abr (AIM) – O Governo moçambicano liquidou integralmente, em Março último, a sua dívida pendente de 515,04 milhões de Direitos Especiais de Saque (equivalentes a 630,1 milhões de dólares norte-americanos) junto do Fundo Monetário Internacional (FMI).
De acordo com o relatório “Total IMF Credit Outstanding Movement (de 01 Março 2026 to 31 Março de 2026)”, a dívida de Moçambique situava-se em 515,04 milhões de DES no início do período, tendo sido reduzida para zero até ao final de Março. Entre os 85 países listados, Moçambique é o único nesta situação.
O facto de o país deixar de ter dívida em atraso junto do FMI poderá reforçar os esforços do Governo para obter novos financiamentos da instituição.
Numa avaliação realizada em Fevereiro, o FMI não anunciou decisões sobre novo apoio. Na altura, o crédito em dívida de Moçambique junto da instituição atingia 226 por cento da sua quota.
No âmbito do último programa da Facilidade de Crédito Alargado (ECF), o FMI aprovou cerca de 468 milhões de dólares para Moçambique, em 2022. O programa foi suspenso em Abril de 2025, após o desembolso de quatro tranches, num total aproximado de 343 milhões de dólares.
Moçambique tinha previsto reembolsar ao FMI 98 milhões de dólares em 2026, 107,5 milhões em 2027, 129,3 milhões em 2028 e 136,4 milhões em 2029. Este calendário deixa agora de se aplicar, uma vez que o país optou por liquidar antecipadamente a dívida.
O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou em Junho de 2025 que se previa a assinatura de um novo programa ainda naquele ano, alinhado com a visão do Governo.
“Mais para o final do ano, se tudo correr bem, iremos assinar um novo programa que permitirá, com a nova visão do Governo, continuar uma excelente relação com o FMI”, disse.
Por seu turno, o subdirector-geral do FMI, Bo Li, manifestou concordância, ao afirmar, a 17 de Maio, em Maputo, que estava em preparação um novo programa.
“A nossa equipa irá trabalhar em conjunto. Nas próximas semanas e meses, vamos discutir um novo programa e estamos comprometidos em apoiar a economia moçambicana para ajudar a manter a estabilidade macroeconómica e financeira”, disse, após um encontro com o Chefe do Estado.
A liquidação da dívida poderá, assim, abrir caminho para a negociação de um novo programa com o FMI. Até ao momento, o Governo moçambicano ainda não comentou oficialmente o assunto.
(AIM)
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