Maputo, 11 de Maio de 2026 (AIM) – A Renco, grupo empresarial de capitais italianos com forte implantação local, consolida-se como uma das mais relevantes forças privadas de investimento em Moçambique desde o início das suas operações em 2012, acumulando investimentos superiores a 155 milhões de euros em projectos estratégicos nas áreas de energia, logística, construção civil e infra-estruturas urbanas.
Actualmente com cerca de 2.000 trabalhadores, dos quais 1.700 afectos à província de Cabo Delgado, a empresa afirma-se como um dos maiores empregadores privados ligados ao desenvolvimento do Norte do País.
“Durante estes 14 anos de actuação, crescemos de uma forma exponencial. Neste momento, trabalhamos em todo o país, mas principalmente em Cabo Delgado”, afirmou Pier Evangelista, director da Renco em Moçambique.
O responsável destacou igualmente o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável e a estabilidade social. “Nunca tivemos um choque com a população. Isso é devido à nossa capacidade de diálogo, de explicar e depois de fazer o que prometemos em termos de investimentos”, disse.
Com sedes operacionais em Maputo e Cabo Delgado, e um novo escritório recentemente inaugurado em Nacala, provincia de Nampula, a Renco expande a sua presença nacional enquanto executa alguns dos mais relevantes projectos em curso no país.
Central Solar de Mecufi: energia limpa para reforçar a rede nacional
Um dos mais ambiciosos investimentos privados actualmente executado pela Renco é a Central Solar de Mecufi, na província de Cabo Delgado, avaliada em cerca de 30 milhões de euros.
O projecto, desenvolvido em parceria com investidores privados moçambicanos e a empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM), deverá entrar em funcionamento em Dezembro de 2026 e injectará aproximadamente 20 megawatts de energia limpa na rede eléctrica nacional, reforçando a segurança energética da região Norte.
“É um projecto que esperamos terminar para Dezembro de 2026 e que vai meter cerca de 20 megawatts de potência na rede nacional”, afirmou Pier Evangelista.
De acordo com a fonte, o empreendimento terá impacto directo no abastecimento energético do país. A construção da central já mobiliza cerca de 130 trabalhadores directos na região de Mecufi, criando oportunidades de formação técnica especializada numa área considerada estratégica para o futuro energético de Moçambique.
Além do impacto energético, o projecto assume particular importância numa província marcada pelos desafios humanitários e de segurança, funcionando também como catalisador de desenvolvimento económico local.
Pemba Bay Terminal: fortalece logística do gás e integração económica de Cabo Delgado
Outro projecto estruturante liderado pela Renco é o Pemba Bay Terminal (PBT), uma infra-estrutura portuária e industrial considerada estratégica para o desenvolvimento logístico da indústria do gás natural em Cabo Delgado.
Com um investimento privado de aproximadamente 70 milhões de euros, o terminal entrou em operação em 2020, após o início das obras em 2019. “O projecto começou em 2020. A construção começou em 2019. É um terminal portuário concessionado à Sociedade Pemba Bay Terminal, um bem do Estado, embora seja financiado exclusivamente com fundos privados”, explicou Evangelista.
Segundo o director da Renco, o objectivo central do projecto é garantir acessibilidade logística aos projectos de gás no Norte da província, especialmente numa altura em que persistem dificuldades na circulação terrestre.
O terminal tornou-se igualmente um símbolo de integração económica local, sobretudo através do fornecimento de materiais provenientes da própria província. A empresa destaca o fornecimento de pedra extraída no distrito de Ancuabe e transportada através do terminal para os projectos de Afungi.
Drenagem de Maputo: obra promete transformar bairros vulneráveis às cheias
Na cidade de Maputo, capital moçambicana, a Renco lidera actualmente um dos mais importantes projectos urbanos de mitigação de cheias e drenagem pluvial em execução no País.
Avaliada em cerca de 55 milhões de euros, a obra está a ser executada nos bairros de Maxaquene e Polana Caniço, através de um financiamento concessionado do Governo italiano ao Estado moçambicano.
“Estamos a construir uma infra-estrutura para a drenagem de água de Maputo, dos bairros de Maxaquene e Polana Caniço, um projecto muito importante que vai mudar a vida da população daquelas zonas”, afirmou Evangelista.
O responsável acrescentou que o impacto do projecto será profundo na mobilidade urbana e na segurança habitacional. Com duração prevista de três anos, a intervenção já começa a produzir resultados visíveis.
Segundo Evangelista, as obras representam uma resposta directa a um problema histórico enfrentado pelas comunidades locais. “O impacto é muito grande em termos de gestão de água para o bairro”, voncou.
Apesar da expansão para outras províncias, incluindo Nampula e Manica, a Renco reafirma que o Norte de Moçambique permanece como principal eixo estratégico dos seus investimentos futuros.
A empresa pretende avançar com novos investimentos nas áreas da agricultura, reconstrução de infra-estruturas, expansão portuária, turismo e desenvolvimento logístico em Cabo Delgado.
“O norte é o principal foco”, afirmou Pier Evangelista.
Entre os projectos de referência encontra-se também o Mecufi Beach Resort, empreendimento turístico anteriormente suspenso devido à insegurança e aos impactos de ciclones, mas cuja retoma continua nos planos da empresa. “O turismo pode ser uma das saídas para a situação actual de turbulência em Cabo Delgado”, defendeu.
A Renco afirma igualmente manter uma abordagem de integração comunitária e desenvolvimento sustentável, rejeitando práticas extractivas de curto prazo.
“Estamos aqui com uma óptica de longo prazo. A nossa intenção é não ter atitudes predatórias”, declarou o director da empresa.
(AIM)
Paulino Checo
