Presidente moçambicano, Daniel Chapo, felicita homólogo ugandês pela sua recondução ao poder
Maputo, 12 Mai (AIM) – Moçambique pretende aprofundar a cooperação com o Uganda no combate ao terrorismo, considerando que a experiência deste país no enfrentamento de grupos extremistas poderá contribuir para os esforços de estabilização da província de Cabo Delgado.
A posição foi expressa hoje, em Kampala, pelo Presidente da República, Daniel Chapo, no balanço da sua participação na cerimónia de investidura do Presidente ugandês, Yoweri Museveni.
Segundo Chapo, as relações entre Moçambique e o Uganda assentam em laços históricos construídos durante as lutas de libertação africanas.
“A nossa relação com o Uganda é histórica. Os primeiros 80 combatentes da luta de libertação do Uganda foram treinados em Moçambique, incluindo o Presidente Yoweri Museveni”, declarou.
O Chefe do Estado moçambicano afirmou ainda que Museveni possui um conhecimento profundo da província de Cabo Delgado, particularmente do distrito de Montepuez, onde recebeu formação militar durante a luta armada ugandesa.
“Ele conhece profundamente Montepuez e também a província de Cabo Delgado. Até hoje consegue conversar em português, devido ao tempo que passou em Moçambique com os nossos combatentes da luta de libertação nacional”, afirmou.
Segundo explicou, a presença moçambicana na cerimónia de tomada de posse em Kampala tinha por objectivo reafirmar os laços históricos e políticos entre os dois países, herdados do período das independências africanas.
“Dada essa relação histórica, achámos extremamente importante marcar presença nesta tomada de posse”, disse.
O estadista moçambicano recordou igualmente que, durante o discurso de investidura, Yoweri Museveni destacou o papel desempenhado por Moçambique, Tanzânia e Uganda nos movimentos de libertação do continente africano.
“Ele fez referência ao facto de o Uganda praticamente ter nascido na Tanzânia. Como sabem, o berço da liberdade de Moçambique também é a Tanzânia, onde a Frelimo foi constituída em 1962”, afirmou.
Chapo referia-se igualmente à presença da Presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, na cerimónia realizada na capital ugandesa.
Além da componente política e histórica, o Presidente da República defendeu o aprofundamento da cooperação económica entre os dois países, com vista à criação de melhores condições de vida para os respectivos povos.
“O objectivo é reforçar cada vez mais as relações de amizade e cooperação entre os dois países, criando condições para o desenvolvimento económico e para melhores condições de vida dos nossos povos”, sublinhou.
Questionado sobre a possibilidade de Moçambique beneficiar da experiência ugandesa no combate ao extremismo violento, Chapo reconheceu o percurso daquele país africano no enfrentamento de grupos armados.
“O Uganda tem uma experiência muito grande no combate ao terrorismo. O Presidente Museveni conhece profundamente Cabo Delgado e Moçambique considera o Uganda um parceiro importante para enfrentar o terrorismo que afecta aquela província”, afirmou.
Desde Outubro de 2017, a província de Cabo Delgado enfrenta ataques terroristas protagonizados por grupos extremistas, situação que já provocou mais de três mil mortos e perto de um milhão de deslocados.
(AIM)
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