Crianças vítimas das Inundações na Cidade de Maputo. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 01 Jun (AIM) – Quase metade das mais de seis milhões de crianças moçambicanas vive em situação de pobreza multidimensional.
Enquanto isso, cerca de 48 por cento das raparigas continuam expostas a uniões prematuras, num cenário agravado pela desnutrição crónica, trabalho infantil e elevada mortalidade infantil.
Dados divulgados por ocasião do Dia Internacional da Criança indicam que Moçambique permanece entre os países da região com maiores índices de mortalidade infantil, registando cerca de 67 óbitos de menores de cinco anos por cada mil nados-vivos, acima da média regional de 48.
Falando esta segunda-feira, em Maputo, a directora nacional da Criança no Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, Angélica Magaia, afirmou que quase metade das mais de seis milhões de crianças moçambicanas vive em situação de pobreza multidimensional.
“As províncias mais afectadas pela pobreza multidimensional são Niassa, Cabo Delgado, Nampula(norte) e Zambézia (centro de Moçambique), que também se destacam pela elevada densidade populacional”, explicou.
A responsável apontou a desnutrição crónica como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento infantil, referindo que o país registou uma redução modesta deste indicador ao longo dos últimos anos.
Outro dado preocupante prende-se com as uniões prematuras.
“Temos ainda 48 por cento das raparigas a viver em uniões prematuras. Estamos a dizer que quase metade das raparigas do nosso país está exposta a várias situações de violência que naturalmente prejudicam o seu futuro”, afirmou.
Segundo Magaia, cerca de 16 por cento das crianças encontram-se envolvidas em actividades laborais.
“Infelizmente, 16 por cento das nossas crianças estão envolvidas em trabalho infantil. Este é um problema muito crítico”, sublinhou.
Apesar dos desafios, a responsável destacou os progressos alcançados no acesso à educação, graças à expansão da rede escolar e à melhoria das condições de ensino.
Dados apresentados indicam que cerca de 96 por cento das crianças em idade escolar têm actualmente acesso à educação.
Por sua vez, o secretário de Estado na cidade de Maputo, Vicente Joaquim, defendeu uma maior participação das famílias na formação moral e no acompanhamento dos menores.
“Não deve ser só o dia de hoje ou apenas o mês de Junho. Devemos reflectir todos os dias sobre a forma como garantimos que as crianças cresçam com saúde e bem-estar”, afirmou.
Por seu turno, a presidente do Parlamento Infantil da Cidade de Maputo, Flávia Bila, considerou que o país deve reforçar os mecanismos de protecção dos menores.
“Temos presenciado diversos cenários de crianças em conflito com a lei e comportamentos de risco. É necessário redobrar os esforços para a protecção da criança”, declarou.
(AIM)
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