Maputo, 04 Jun (AIM) – A Fundação para Competitividade Empresarial (FUNDEC) defende reforço da coordenação entre o Banco de Moçambique, o Ministério das Finanças e os bancos comerciais para assegurar maior estabilidade no abastecimento de combustíveis.
O posicionamento surge num contexto marcado por constrangimentos na disponibilidade de divisas e pressões externas sobre o mercado energético.
“O Banco de Moçambique, os bancos comerciais e o Ministério das Finanças têm de articular-se numa coordenação multissetorial para gerir, controlar e operacionalizar instrumentos de liquidez cambial e garantir o financiamento das importações estratégicas”, afirmou Clésio Foia, durante a apresentação hoje, em Maputo, do relatório técnico da FUNDEC.
Segundo a FUNDEC, a recente escassez de combustíveis resulta da conjugação de factores externos, como a volatilidade dos preços internacionais do petróleo, e limitações internas associadas à liquidez cambial necessária para suportar as importações.
A instituição explica que o modelo de importação de combustíveis depende de mecanismos de financiamento internacionais, incluindo cartas de crédito e operações de “trade finance”, que exigem disponibilidade efectiva de moeda estrangeira no sistema bancário para assegurar o fluxo regular de abastecimento.
A FUNDEC sublinha que a estabilidade do abastecimento está directamente ligada à previsibilidade dos fluxos de divisas, num contexto em que a economia nacional mantém elevada dependência de importações estratégicas.
“A subida do preço do petróleo implicou um aumento das necessidades de financiamento externo para assegurar o mesmo nível de abastecimento”, referiu.
O relatório aponta ainda que os bancos comerciais enfrentam maior pressão na intermediação de divisas em períodos de elevada procura, sobretudo em operações ligadas ao comércio externo.
Do ponto de vista macroeconómico, a instituição indica que o aumento do preço do gasóleo teve impacto directo nos custos de transporte e produção, com efeitos em cadeia sobre a estrutura de preços da economia.
“O aumento do preço do gasóleo traduziu-se num efeito em cadeia sobre os custos de transporte, produção e distribuição de bens”, destacou.
Como resposta, a FUNDEC recomenda o reforço de mecanismos de liquidez cambial e instrumentos de garantia para importações estratégicas, de forma a reduzir vulnerabilidades em períodos de choque.
A instituição defende ainda que, a médio e longo prazo, será necessário acelerar a diversificação da matriz energética e reforçar investimentos estruturantes no sector, com vista a reduzir a dependência de importações e aumentar a resiliência económica.
(AIM)
SNN/mz
