Maputo, 08 Jun (AIM) – Os corredores logísticos de Moçambique foram, esta segunda-feira (08), apresentados ao empresariado italiano como eixo estratégico de desenvolvimento económico, criação de emprego e integração regional.
A medida surge num contexto em que o país procura acelerar reformas, atrair investimento estrangeiro e reforçar a competitividade das suas infra-estruturas estratégicas.
Falando na cerimónia de abertura da Conferência Empresarial Moçambique-Itália 2026, sob o lema “Parcerias para o desenvolvimento sustentável de infraestruturas”, o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, afirmou que os corredores logísticos devem ser entendidos como instrumentos de desenvolvimento e não apenas de circulação de mercadorias.
“Os corredores logísticos são corredores de desenvolvimento. Servem para o crescimento regional, nacional e para a criação de oportunidades de emprego”, declarou, sublinhando que os corredores de Maputo (sul), Beira e Nacala (centro do país) ligam Moçambique a sete países do interior do continente africano.
Matlombe alertou para perdas de competitividade regional, exemplificando que “há cargas que percorrem dois mil quilómetros para Durban em vez de seiscentos quilómetros para Nacala”.
Defendeu a remoção de barreiras ao comércio e a modernização das infra-estruturas.
O governante destacou ainda os avanços na digitalização portuária, com o Porto de Maputo a permitir o rastreamento de carga em tempo real ao longo da cadeia logística.
Por seu turno, o embaixador da Itália em Moçambique, Gabriele Annis, reafirmou o compromisso de Roma em reforçar a cooperação económica bilateral.
“As nossas economias são complementares e queremos criar uma lógica de win-win”, afirmou, defendendo maior investimento italiano em infra-estruturas, energia e regeneração urbana.
Annis sublinhou a mobilização do sistema empresarial e financeiro italiano para apoiar projectos estruturantes em Moçambique, no quadro da cooperação euro-africana.
Na mesma sessão, o PCA da empresa Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Agostinho Langa, destacou a aposta em parcerias público-privadas para modernizar os corredores ferroviários e portuários, incluindo a duplicação de linhas e expansão da capacidade logística.
Por sua vez, o representante da Organização Italiana de Engenharia, Arquitectura e Consultoria (OICE), Massimo Marchettini, sublinhou a importância da fase de planificação dos projectos, defendendo que “o trabalho civil é o primeiro elemento de competitividade”,.
“Se bem articulados, os corredores podem ser motores de emprego e transformação económica”, referiu, defendendo maior coordenação regional para reduzir custos e barreiras comerciais e reforçar a eficiência dos sistemas logísticos.
Por outro lado, a representante do Banco Mundial, Mónica Moldovan, defendeu que os corredores logísticos de Moçambique devem ser entendidos como ecossistemas de desenvolvimento económico, e não apenas como infraestruturas de transporte.
“Os corredores não são apenas infraestruturas físicas, mas plataformas onde se cria valor quando há integração entre logística, produção e mercados”, afirmou.
Moldovan sublinhou que os corredores ganham centralidade no contexto de emprego, tendo em conta que cerca de 500 mil jovens entram anualmente no mercado de trabalho em Moçambique, o que exige soluções estruturais de criação de oportunidades económicas.
O evento decorre ao longo de dois dias, em Maputo, e junta decisores políticos, diplomatas, empresários e instituições financeiras internacionais.
(AIM)
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