Maputo, 24 Jun. (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, desafiou hoje a Academia de Altos Estudos Estratégicos (AAEE) a assumir um papel central na produção de conhecimento para o combate ao terrorismo, ao crime organizado e às novas ameaças à segurança nacional.
A instituição foi igualmente exigida envolvimento na construção dos alicerces da independência económica de Moçambique, bandeira do governo.
A mensagem foi transmitida durante a cerimónia de tomada de posse de António Supeia e Nelson Rego como Reitor e Vice-Reitor da AAEE, respectivamente.
Na ocasião, Chapo afirmou que o país enfrenta ameaças cada vez mais complexas que exigem inteligência, investigação científica e pensamento estratégico, para além das tradicionais respostas de natureza militar.
“O terrorismo em Cabo Delgado, os raptos, o tráfico de drogas, os crimes cibernéticos, a exploração ilegal de recursos naturais e a desinformação constituem desafios reais que exigem quadros altamente qualificados e respostas integradas do Estado”, afirmou.
O Chefe do Estado defendeu que a Academia de Altos Estudos Estratégicos deve deixar de ser vista apenas como uma instituição de ensino e transformar-se num verdadeiro centro nacional de pensamento estratégico ao serviço do Estado moçambicano.
Segundo explicou, o país necessita de especialistas capazes de produzir análises profundas e soluções concretas para os principais desafios de segurança e desenvolvimento.
Entre as prioridades apontadas está o aprofundamento dos estudos sobre o terrorismo em Cabo Delgado, incluindo a identificação das suas origens, redes de financiamento, métodos de recrutamento e estratégias para fortalecer a resiliência das comunidades afectadas.
O Presidente defendeu igualmente mais investigação sobre os raptos, o crime organizado transnacional, o tráfico de drogas, os crimes cibernéticos e a proliferação de notícias falsas nas redes sociais.
“Precisamos de pensamento estratégico produzido em Moçambique para Moçambique. Queremos soluções ajustadas à nossa realidade”, sublinhou.
Chapo destacou ainda que a segurança nacional deixou de ser uma questão exclusivamente militar, tornando-se cada vez mais multidimensional e dependente da qualidade dos quadros responsáveis pela sua gestão.
Por isso, considerou a Academia uma instituição vital para a defesa da soberania, da integridade territorial e dos interesses estratégicos do Estado.
A cerimónia decorreu na véspera das celebrações dos 51 anos da Independência Nacional, uma coincidência que, segundo o Presidente, reforça a importância da missão atribuída à Academia.
“O nosso dever é proteger as conquistas alcançadas com o sacrifício de gerações de moçambicanos e preparar o país para os desafios do futuro”, afirmou.
Na sua intervenção, Chapo reiterou que a conquista da independência económica constitui a principal missão da actual geração, defendendo que esse objectivo passa pelo fortalecimento da agricultura, da indústria, da educação, da saúde, das infra-estruturas e pelo combate à corrupção.
Por isso, apelou à transformação da Academia de Altos Estudos Estratégicos num centro de excelência nacional e regional, capaz de formar especialistas e gerar soluções para o desenvolvimento sustentável do país.
(AIM)
Paulino Checo/
