Maputo, 14 Jul (AIM) – O Governo e o sector privado foram unânimes em defender a necessidade de investimentos de maior escala para transformar a agricultura moçambicana, aumentar a produção nacional e reduzir a dependência das importações.
A posição foi defendida durante o Painel de Alto Nível da 21.ª Conferência Anual do Sector Privado (CASP), que decorre em Maputo sob o lema “Produzir, Transformar e Competir: Construindo uma Economia Forte e Resiliente”.
O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, afirmou que a prioridade do Governo passa por alcançar a autossuficiência alimentar, desenvolver uma agro-indústria competitiva e transformar Moçambique num exportador de produtos agrários de valor acrescentado.
“Temos estado a caçar elefante com uma pistola de seis milímetros de calibre. O nível de investimento que fazemos não tem estado ao nível do problema que queremos resolver”, afirmou Albino, defendendo uma aposta em projectos estruturantes.
Segundo o governante, o país não poderá substituir importações de produtos alimentares avaliadas em cerca de um bilião de dólares norte-americanos por ano através de investimentos reduzidos, sendo necessário mobilizar recursos públicos e privados numa escala compatível com os desafios existentes.
Albino destacou a importância do acesso à terra, água e financiamento.
Disse que o desenvolvimento de sistemas de irrigação em parceria com o sector privado é vital, numa altura em que as alterações climáticas limitam a dependência da agricultura baseada exclusivamente na chuva.
“Não estamos a falar de sistemas construídos apenas pelo Estado para apoiar os camponeses, mas de sistemas construídos em parceria com o sector privado”, disse.
O ministro apontou a necessidade de reformas fiscais e redução dos custos de produção, incluindo tarifas de energia, água e combustíveis para produtores e agro-indústrias, como forma de estimular maior participação empresarial no sector agrário.
Por seu turno, o vice-presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Onório Boane, defendeu uma definição clara dos papéis do Estado e do sector privado no processo de transformação económica, sublinhando que o Governo deve criar condições para o investimento e as empresas devem gerar riqueza e emprego.
“O Governo tem o seu papel, o sector privado tem o seu papel. Esperamos que o Governo crie confiança, garanta estabilidade e remova os obstáculos”, afirmou.
O representante empresarial apontou a burocracia excessiva, os elevados custos de produção, as dificuldades de acesso ao financiamento, a escassez de divisas e as limitações nas infra-estruturas como alguns dos principais entraves à competitividade das empresas.
Na ocasião, o ministro da Economia, Basílio Muhate, destacou que a transformação estrutural da economia constitui uma prioridade nacional, assente na industrialização e no aumento da capacidade do país de agregar valor aos recursos existentes.
“Temos de transformar os nossos produtos aqui no nosso país para agregar valor, criar mais empregos e mais renda para as famílias”, afirmou.
Muhate apontou o agronegócio e a indústria extractiva como sectores estratégicos para impulsionar a industrialização nacional, destacando instrumentos como o Banco de Desenvolvimento, o Fundo de Garantia Mutuária e o Fundo de Desenvolvimento Económico Local como mecanismos destinados a apoiar o financiamento da actividade produtiva.
Segundo o governante, a aposta passa por aproximar os grandes investimentos das pequenas e médias empresas, criando condições para que os recursos nacionais contribuam para o crescimento económico e para a geração de emprego.
(AIM)
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