Maputo, 23 Out (AIM) – O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, desafiou a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e toda a comunidade académica moçambicana a produzir orientações científicas que permitam construir uma economia resiliente e encontrar soluções próprias para os seus problemas de desenvolvimento.
A ser efectivada, a medida ajudaria o país a reduzir a dependência de financiamento externo.
“Este é o desafio que deixo para a UEM, deixo para os académicos, para encontrarmos soluções locais para os problemas locais”, afirmou Mito Albino, durante o Primeiro Simpósio de Adaptação e Resiliência Climática em Moçambique, em Maputo.
O governante considera que a ciência deve desempenhar papel central na identificação de alternativas para o desenvolvimento nacional, ajudando o país a valorizar os recursos de que dispõe e a transformá-los em meios de financiamento das suas próprias prioridades.
“Por isso, senhores académicos, professores, doutores, … , tendes aqui um cliente que está ávido de receber orientações científicas de como Moçambique deve construir a sua economia, o seu desenvolvimento de forma resiliente”, declarou, dirigindo-se aos investigadores e docentes presentes no encontro.
Defendeu que Moçambique precisa de repensar a forma como mobiliza recursos para o desenvolvimento. Argumentou que a procura de financiamento externo não deve substituir a capacidade nacional de encontrar respostas para os seus desafios.
“Temos que encontrar soluções locais para resolver os problemas locais”, reiterou.
Defendeu a valorização dos recursos nacionais, a sua conversão em recursos financeiros e a aplicação destes no desenvolvimento do país.
Para ilustrar a dimensão do problema, o ministro apontou o peso das importações alimentares, comparativamente aos investimentos destinados ao apoio à produção nacional.
“Importámos um bilhão de dólares de comida”, afirmou, em clara referência às despesas com a aquisição, no exterior, de arroz, óleo, trigo e outros produtos alimentares.
Em contrapartida, segundo o titular da pasta da Agricultura, Ambiente e Pescas, os programas de apoio à produção com impacto directo nos camponeses, que constituem a maioria da força laboral nacional, recebem investimentos anuais inferiores a 50 milhões de dólares.
“Se você tem um problema de mil milhões de dólares para resolver, não é com investimentos de 50 milhões de dólares por ano que vai ter a necessária solução”, observou, para depois questionar de onde virão os recursos para reduzir essa diferença.
O ministro reconheceu que a resposta a este desafio exige ideias e conhecimento científico capazes de orientar as decisões económicas e apoiar a construção de um modelo de desenvolvimento ajustado à realidade moçambicana.
“Agora, para eu ficar feliz, preciso de ideias, preciso da ciência”, afirmou, atribuindo particular importância à Cátedra Oliver Tambo em Adaptação Baseada em Ecossistemas, ligada à UEM.
O ministro defendeu ainda que os encontros sobre mudanças climáticas devem produzir acções concretas, baseadas nas necessidades e capacidades do país, em vez de se limitarem à discussão dos problemas e à expectativa de apoio externo.
“Não vale a pena continuarmos a ir para encontros, para as reuniões sobre mudanças climáticas, se não trazermos nada para nossa acção”, declarou.
As declarações do ministro ocorrem numa altura em que Moçambique enfrenta os efeitos recorrentes de eventos climáticos extremos, que afectam a produção agrícola, as infra-estruturas, a produtividade e a segurança alimentar das famílias.
Dados apresentados pelo ministro indicam que, entre 2000 e 2025, o país registou mais de 75 eventos climáticos extremos, que provocaram perdas económicas superiores a 4,5 mil milhões de dólares.
No presente ano, as cheias e inundações afectaram cerca de 170 mil agregados familiares, correspondentes a 724 mil pessoas, com perdas económicas estimadas em 647 milhões de dólares e necessidades de recuperação avaliadas em 1,6 mil milhões de dólares.
(AIM)
SNN/mz
