Maputo, 17 Jul (AIM) – O Governo moçambicano vai intensificar o uso de águas subterrâneas para a irrigação de campos agrícolas como uma das medidas para reduzir os efeitos da seca associada ao fenómeno El Niño.
O anúncio foi feito esta quinta-feira (16) no distrito de Boane, pelo director Nacional da Agricultura, Jubala Zibia.
A medida faz parte das acções em preparação pelo Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural para apoiar os produtores e reforçar a capacidade de resposta do sector agrário face aos impactos das alterações climáticas, incluindo a escassez de água em algumas regiões do país.
“Estamos habituados a fazer a irrigação por águas superficiais, mas há zonas que não têm águas superficiais, não tem rios, não tem lagoas, mas tem água subterrânea. É aí que nós vamos intensificar esta campanha, o uso de furos”, afirmou Zibia.
A fonte falava durante uma visita de trabalho ao distrito de Boane, província de Maputo, sul de Moçambique, onde avaliou iniciativas de produção agrícola e sistemas de irrigação adoptados por produtores locais, incluindo a Cooperativa 25 de Setembro.
Segundo Zibia, a utilização de furos de água poderá contribuir para aumentar a área de produção irrigada, garantir a produção agrícola e responder igualmente às necessidades das comunidades, incluindo o abeberamento dos animais.
“Queremos ter maior percentagem de machambas a serem irrigadas. Isto vai minimizar os efeitos das mudanças climáticas, que vieram para ficar”, disse.
O Ministério está também a mobilizar parceiros para implementar um pacote de intervenções destinado aos produtores das zonas mais afectadas pelo El Niño, com destaque para as províncias de Gaza e Inhambane, sul do país, incluindo apoio em insumos agrícolas.
“Estamos a fechar agora um pacote para apoio aos produtores, apoio directo aos produtores em insumos de produção”, explicou.
Zibia acrescentou que a estratégia do Governo inclui a distribuição de sementes tolerantes à seca e de ciclo curto, permitindo que os produtores aproveitem melhor a limitada disponibilidade de água nas zonas afectadas.
“Temos que trazer a combinação destas sementes, mas também sementes de ciclo curto, para que a pouca disponibilidade de água que estiver possa ser maximizada”, afirmou.
O director Nacional da Agricultura referiu que o país prevê alcançar uma produção de entre 6,8 e sete milhões de toneladas de culturas diversas na campanha agrícola 2026/2027, com maior contribuição dos cereais, estimados em cerca de 3,8 milhões de toneladas.
Durante a visita ao distrito de Boane, Zibia destacou a experiência da Cooperativa 25 de Setembro como exemplo do potencial da irrigação na agricultura familiar e comercial.
O dirigente apelou ainda ao maior envolvimento do sector privado na agricultura, defendendo que as reformas em curso no sector devem criar melhores condições para aumentar a produção nacional.
“Não podemos ter terras que não estão a ser cultivadas enquanto precisamos de produzir”, afirmou, referindo-se à revisão da legislação de terras como um dos instrumentos para dinamizar o sector.
A produtora Penina Mussana, da Cooperativa 25 de Setembro, explicou que a produção actual foi retomada após o apoio do Governo em sementes, na sequência das perdas provocadas pelas cheias.
“Perdemos tudo e não tínhamos como dar continuidade. Esta produção aqui resulta de sementes fornecidas pelo Governo”, afirmou.
Mussana disse que actualmente produz hortícolas, milho, repolho e feijão verde, utilizando sistemas de irrigação para garantir a produção durante o período seco.
“Quando estiver pronto vendemos feijão verde, vendemos também o milho. A produção é para venda e para alimentação”, explicou.
Por seu turno, o produtor Artur queixou-se de dificuldades no acesso ao combustível para o funcionamento das bombas de irrigação, situação que tem condicionado a rega regular dos campos.
“Estamos a sofrer um pouco por causa da questão do combustível. A máquina é grande e para levar combustível das bombas é um problema sério”, disse.
(AIM)
SNN/mz
