Maputo, 03 de Setembro (AIM) — O acesso ao mercado, ao financiamento e às cadeias de valor voltou ao centro do debate na FACIM 2026, num encontro que reuniu diferentes actores em torno de uma questão decisiva para o futuro dos pequenos negócios em Moçambique.
Com a questão central, como transformar as oportunidades da integração económica africana em crescimento real para as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), cooperativas, mulheres, jovens e pessoas com deficiência, a iniciativa abordou saídas para o desafio.
A reflexão decorreu esta quarta-feira, 2 de Setembro, no Pavilhão Nacional das MPMEs e Cooperativas, durante o evento “Comércio Inclusivo e Acesso ao Mercado para MPMEs e Cooperativas”, uma iniciativa liderada pelo IPEME, IP, em parceria com o Projecto FIRST, financiado pela Global Affairs Canada e implementado pela Cowater International.
Sob o lema “Desbloqueando as Oportunidades da Zona de Comércio Livre Continental Africana para Mulheres, Jovens e Pessoas com Deficiência”, o encontro colocou em evidência os obstáculos que ainda limitam a participação dos pequenos negócios no comércio e procurou identificar caminhos para tornar o mercado mais acessível e inclusivo.
Para além de discutir mercados, o encontro procurou aproximar as MPMEs e cooperativas das oportunidades que emergem com a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), um dos principais instrumentos de integração económica do continente.
Para que essas oportunidades se traduzam em resultados concretos, os participantes destacaram a necessidade de fortalecer as capacidades dos pequenos negócios, melhorar a produtividade e criar condições para que estes possam competir em mercados cada vez mais exigentes.
O debate abordou questões centrais para a sobrevivência e expansão empresarial, incluindo cooperativismo, formalização e crescimento dos negócios, inclusão de pessoas com deficiência, acesso ao financiamento, certificação, cadeias de valor e acesso aos mercados.
As discussões evidenciaram que, para muitas MPMEs e cooperativas, o desafio não está apenas em produzir, mas em conseguir cumprir os requisitos necessários para chegar aos mercados, obter financiamento, certificar produtos e integrar cadeias de valor com maior potencial de crescimento.
A inclusão económica de mulheres, jovens e pessoas com deficiência ganhou particular destaque no encontro, reflectindo a necessidade de garantir que os benefícios da integração comercial não fiquem concentrados num número reduzido de actores económicos.
Neste contexto, os participantes defenderam políticas e soluções capazes de remover barreiras à participação dos grupos tradicionalmente mais afastados das oportunidades económicas e de criar condições para uma presença mais efectiva destes segmentos no tecido empresarial e comercial.
A aposta numa economia mais inclusiva foi igualmente associada à capacidade de gerar emprego, rendimento e desenvolvimento económico, colocando as MPMEs e cooperativas como actores fundamentais na dinamização da economia nacional.
O encontro realizado na FACIM 2026 deixou uma mensagem clara: a existência de novos mercados, por si só, não garante que os pequenos negócios consigam deles beneficiar.
É necessário criar condições para que as MPMEs e cooperativas estejam preparadas para competir, inovar, cumprir padrões de qualidade, aceder ao financiamento e estabelecer ligações sustentáveis com cadeias de valor nacionais, regionais e continentais.
Ao promover o diálogo entre os diferentes intervenientes, a iniciativa procurou contribuir para que a ZCLCA deixe de ser apenas uma promessa de integração económica e passe a representar oportunidades concretas para aqueles que sustentam grande parte da actividade económica e da geração de emprego no País.
Num continente que procura aprofundar a integração dos seus mercados, o desafio colocado em Maputo é directo: garantir que ninguém fique de fora das oportunidades criadas pelo comércio africano.
(AIM)
