Maputo, 1 Set (AIM) – O Governo moçambicano está a reforçar a aposta no desenvolvimento do turismo do golfe, através da criação de Zonas Especiais para o Turismo do Golfe, como estratégia para dinamizar o sector, atrair investimentos e posicionar o país entre os principais destinos africanos para esta modalidade turística.
A aposta foi destacada hoje, em Maputo, durante o lançamento oficial das celebrações do Dia Mundial do Turismo 2026, que se assinala em Moçambique sob o lema “Informar e Fazer Turismo”, numa iniciativa do Ministério da Economia, através da Direcção Nacional do Turismo.
O presidente da Associação Moçambicana para o Desenvolvimento da Indústria do Golfe (AMOGOLFE), Danilo Nhantumbo, afirmou que a primeira Zona Especial para o Turismo do Golfe está a ser desenvolvida na província de Inhambane, em coordenação com o Governo provincial, acrescentando que a organização está disponível para apoiar iniciativas semelhantes noutras províncias do país.
“É importante que as pessoas compreendam o que é isto de Zonas Especiais para o Turismo do Golfe e não se confundam também com as Zonas Económicas Especiais, que têm um tratamento distinto”, afirmou Nhantumbo, defendendo que Moçambique poderá, no futuro, transmitir a sua experiência aos restantes países africanos nesta matéria.
Segundo a fonte, a aposta no turismo do golfe deverá ser acompanhada por iniciativas destinadas a desenvolver a modalidade desde a base, destacando o Programa de Escolas de Golfe, que já decorre na cidade de Maputo e no município de Boane, tendo igualmente sido lançado nas províncias de Manica e Nampula.
Nhantumbo defendeu ainda a criação de um Driving Range na província de Manica, considerando que aquela região reúne condições para o desenvolvimento de infra-estruturas ligadas ao golfe, permitindo aos visitantes experimentar a modalidade enquanto se trabalha para a construção de campos de golfe.
“Não é um assunto impossível, não é algo de outro mundo, o que precisamos fazer é pensar fora da caixa”, disse, apelando à participação dos diferentes intervenientes, tanto através de investimentos como de outras formas de apoio ao desenvolvimento da indústria.
O presidente da AMOGOLFE defendeu igualmente a necessidade de acelerar a formação dos agentes da Polícia da República de Moçambique, dos serviços de migração e de outras instituições que mantêm contacto directo com turistas, através de programas de “turistificação” que permitam melhorar o atendimento nas fronteiras, aeroportos e outros pontos de entrada no país.
Para Nhantumbo, Moçambique dispõe de capacidade técnica e institucional para desenvolver internamente estes programas, não sendo necessário recorrer exclusivamente a experiências estrangeiras para responder aos desafios do sector.
No domínio da promoção turística, criticou a forma como a marca “Visit Moçambique” tem sido gerida, defendendo que deve deixar de ser encarada apenas como um slogan e passar a ser tratada como um activo económico do país.
“O Visit Moçambique não pode continuar a ser tratado como um slogan. É uma marca extremamente valiosa”, afirmou, defendendo uma gestão profissional da marca e a definição de estratégias capazes de facilitar a criação e promoção de pacotes turísticos destinados a diferentes nichos de mercado.
Nhantumbo destacou igualmente a realização da Cimeira do Golfe, prevista para os dias 7 e 8 de Novembro, em Vilankulo, província de Inhambane, evento que deverá reunir intervenientes da indústria do golfe e que conta com o apoio do Governo de Moçambique. A realização da cimeira em Inhambane está alinhada com a estratégia de posicionamento da província como zona especial para o turismo do golfe.
Durante a cimeira está igualmente prevista, pela primeira vez, a realização do Ocean Golf Regatta, iniciativa que deverá complementar a programação e contribuir para a promoção de Inhambane como destino associado ao golfe.
O lançamento oficial das celebrações do Dia Mundial do Turismo 2026 marca o início das actividades alusivas à efeméride em Moçambique, abrindo espaço para iniciativas destinadas a promover a reflexão sobre o papel do turismo no desenvolvimento económico e social do país.
(AIM)
Laura Tembe/pc
