Marracuene, 05 de Set (AIM) – O Governo considera que a 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM 2026) alcançou o objectivo de aproximar empresas, investidores e parceiros e de atrair manifestações de intenção e compromissos para o estabelecimento de parcerias e realização de investimentos em Moçambique.
A garantia foi dada hoje, pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi, no encerramento da maior feira empresarial do país, que durante sete dias reuniu, em Ricatla, no Município de Marracuene, empresas nacionais e estrangeiras, investidores, instituições públicas e parceiros de desenvolvimento.
Sob o lema “Transformação Digital e Energética rumo a uma Economia Sustentável e Industrializada”, a FACIM 2026 voltou a afirmar-se, segundo o Governo, como uma plataforma estratégica de conexão de Moçambique com mercados, tecnologias, experiências e oportunidades de investimento provenientes de diferentes pontos do país e do mundo.
Para Benvinda Levi, um dos principais legados desta edição são precisamente as manifestações de intenção e os compromissos de estabelecimento de parcerias e de investimento acordados entre os participantes.
A Primeira-Ministra considera que a concretização destes compromissos poderá contribuir para dinamizar o crescimento económico e aumentar as exportações nacionais, que em 2025 ultrapassaram 7,5 mil milhões de dólares norte-americanos.
“Uma feira termina, mas os negócios não podem terminar com o encerramento dos pavilhões”, sublinhou Benvinda Levi.
Desafiou os intervenientes a transformar os contactos estabelecidos durante a FACIM em contratos, os contratos em investimentos e os investimentos em fábricas, unidades de processamento, explorações agrícolas, serviços, tecnologias e infra-estruturas.
Ao longo dos sete dias do evento, a FACIM mostrou, de acordo com o Governo, uma realidade económica nacional mais diversificada do que aquela tradicionalmente visível nos mercados.
Agricultura, agro-indústria, indústria transformadora, energia, mineração, construção civil, turismo, transporte, logística, tecnologias digitais, serviços financeiros e economia criativa estiveram entre os sectores representados pelos expositores.
A feira serviu igualmente para aproximar empresários que anteriormente não tinham relações comerciais, produtores e potenciais compradores, investidores e novas oportunidades, bem como empresas nacionais e fornecedores de tecnologias e soluções disponíveis nos mercados nacional e internacional.
A Primeira-Ministra destacou ainda a presença das províncias, que apresentaram os seus produtos, recursos, oportunidades de investimento e potencialidades, demonstrando que o desenvolvimento económico do país não está concentrado num único espaço territorial.
Para o Governo, esta dimensão territorial é determinante para a criação de cadeias de valor capazes de ligar produtores, empresas, infra-estruturas e mercados ao longo dos corredores económicos nacionais e regionais.
Uma das marcas desta edição foi a participação massiva das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), que constituem a maioria do empresariado nacional.
Benvinda Levi defendeu que o principal desafio do país não reside na ausência de capacidade produtiva, mas na necessidade de aumentar a escala, melhorar a produtividade, assegurar qualidade e regularidade no abastecimento dos mercados e reduzir os custos de produção e comercialização.
A integração dos pequenos produtores nas cadeias de valor e a melhoria do acesso aos mercados interno e externo foram igualmente apontadas como prioridades.
Na óptica do Governo, responder a estes desafios permitirá diversificar a economia, aumentar a produção e a produtividade e criar mais emprego e rendimento para as famílias moçambicanas, contribuindo para a construção de bases sólidas para a independência económica do país.
O agronegócio foi apontado como um dos pilares da economia e da segurança alimentar, com o Governo a defender uma maior aproximação entre o produtor, o processamento e o mercado.
A aposta deverá incluir tecnologias agrícolas mais eficientes e resilientes às mudanças climáticas, aumento da produtividade e desenvolvimento de cadeias de valor capazes de gerar maior rendimento no campo e mais valor acrescentado na economia.
Ao mesmo tempo, Levi defendeu uma aceleração do processo de industrialização e de transformação das matérias-primas dentro do país.
“Não podemos continuar a depender excessivamente da exportação de matérias-primas sem transformação”, defendeu.
Neste quadro, o Programa Nacional de Industrialização de Moçambique (PRONAI) foi apresentado como instrumento importante para criar condições para que as oportunidades identificadas se convertam em investimentos produtivos e capacidade industrial instalada no país.
No encerramento da FACIM, o Governo lançou também um desafio ao sector privado e às instituições ligadas à promoção do investimento.
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), a Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX), o Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME), as instituições financeiras e outras entidades deverão acompanhar os contactos realizados durante a feira, facilitar processos, remover obstáculos e acelerar a concretização das intenções manifestadas.
O Executivo reiterou, por sua vez, o compromisso de continuar a melhorar o ambiente de negócios, através da digitalização da economia, simplificação de procedimentos, redução da burocracia, inclusão financeira e expansão da conectividade.
A expectativa é que estas medidas reforcem a capacidade das empresas moçambicanas de competir nos mercados nacional, regional e internacional.
“Os negócios não podem terminar”, vincou.
(AIM)
Paulino Checo
