Maputo, 15 de Set (AIM) — O Reino Unido vai investir 2 milhões de libras esterlinas na conservação da biodiversidade em Moçambique, numa nova parceria com a BIOFUND – Fundação para a Conservação da Biodiversidade destinada a reforçar a protecção do património natural do país.
A parceria, formalizada entre o Governo britânico e a BIOFUND, representa um passo na cooperação bilateral para responder aos desafios crescentes de financiamento e gestão dos recursos naturais moçambicanos.
Os fundos serão canalizados, sobretudo, para o fortalecimento da conservação liderada pelas comunidades e para o desenvolvimento de mecanismos de financiamento sustentável da biodiversidade.
A aposta pretende assegurar recursos de longo prazo para a protecção dos ecossistemas e, simultaneamente, ampliar a participação das populações locais na gestão dos recursos naturais.
Mais do que preservar espécies e habitats, a iniciativa procura transformar a conservação numa fonte de benefícios concretos para as comunidades. A expectativa é que uma gestão mais participativa dos recursos naturais contribua para gerar oportunidades sociais e económicas, ao mesmo tempo que protege áreas de elevado valor ecológico.
A nova parceria coloca as comunidades locais no centro da estratégia de conservação. A lógica é que, sem o envolvimento das populações que vivem junto dos ecossistemas, a protecção da biodiversidade dificilmente poderá ser sustentável a longo prazo.
A iniciativa pretende, assim, criar condições para que as comunidades participem activamente na gestão dos recursos naturais e beneficiem dos resultados da sua conservação.
Apesar do anúncio dos 2 milhões, ainda não foi divulgada a repartição detalhada do financiamento pelas diferentes áreas ou projectos de conservação.
O investimento surge, contudo, integrado numa agenda mais ampla de apoio ao financiamento sustentável da conservação em Moçambique, que inclui iniciativas relacionadas com a gestão de áreas marinhas protegidas e outras acções destinadas a preservar os ecossistemas do país.
A parceria UK–BIOFUND surge num contexto em que Moçambique procura encontrar soluções duradouras para financiar a conservação da sua biodiversidade. O país possui ecossistemas de importância global, desde áreas costeiras e marinhas até florestas, savanas e zonas húmidas, que enfrentam diferentes pressões ambientais e económicas.
Com o novo financiamento, Reino Unido e BIOFUND procuram contribuir para uma mudança de paradigma: passar de intervenções pontuais para modelos de conservação capazes de mobilizar recursos de forma contínua e envolver directamente as comunidades.
O desafio, agora, será transformar os recursos anunciados em resultados concretos no terreno — com mais áreas protegidas, comunidades mais envolvidas e mecanismos financeiros capazes de garantir que a biodiversidade moçambicana continue a ser preservada para as próximas gerações.
(AIM)
Paulino Checo/
