Maputo,, 21 de Set (AIM — O Presidente da República, Daniel Chapo, lançou esta segunda-feira, no Rio de Janeiro, um convite directo a investidores e empresas brasileiras para participarem na nova etapa de desenvolvimento do sector de petróleo e gás moçambicano.
O desafio foi colocado durante a abertura do Fórum Rio Petróleo e Gás 2026, organizado pelo Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), onde o Chefe do Estado foi o principal orador.
Mais do que atrair capital para a exploração de hidrocarbonetos, Chapo defendeu uma parceria capaz de gerar industrialização, transferência de tecnologia, formação de quadros e fortalecimento das empresas moçambicanas.
Na sua intervenção, o Presidente destacou a experiência acumulada pelo Brasil em áreas como exploração em águas profundas, engenharia, logística e desenvolvimento de cadeias de fornecedores, considerando-a uma oportunidade para aprofundar a cooperação entre os dois países.
“Hoje, o desafio da nossa geração é acrescentar a essa ponte uma nova dimensão: energia, tecnologia, investimento e prosperidade para os nossos povos”, declarou.
A aposta ganha particular significado num momento em que Moçambique e Brasil procuram dar uma nova dimensão a uma relação marcada por fortes laços históricos, culturais e diplomáticos. Em 2025, os dois países assinalaram 50 anos de relações diplomáticas.
Chapo apresentou aos investidores brasileiros o potencial energético de Moçambique, estimado em cerca de 180 triliões de pés cúbicos de gás natural, dos quais aproximadamente 133 triliões são considerados recuperáveis.
A este potencial somam-se recursos hidroeléctricos, solares e eólicos, que, segundo o Presidente, colocam o país perante a possibilidade de diversificar a sua matriz energética e acelerar o desenvolvimento económico.
Na Bacia do Rovuma, os projectos Coral Sul, Coral Norte, Mozambique LNG e Rovuma LNG representam investimentos estimados em cerca de 50 mil milhões de dólares norte-americanos, consolidando aquela região como uma das principais fronteiras da indústria energética moçambicana.
Mas o Presidente deixou claro que a ambição do Governo vai para além da extracção e exportação de gás.
A nova etapa deverá, segundo Chapo, ligar os recursos energéticos à industrialização, agricultura, produção de fertilizantes e criação de empregos, procurando fazer com que uma maior parcela do valor gerado pelos recursos naturais permaneça na economia nacional.
Foi no debate sobre a transição energética que Chapo procurou colocar uma das principais mensagens da sua intervenção.
Para o Presidente, a redução da dependência dos combustíveis fósseis não deve deixar de lado as necessidades energéticas dos países africanos em desenvolvimento.
“A transição energética não pode significar transição sem energia. Não haverá transição verdadeiramente justa se construirmos um mundo de energia limpa para alguns e de pobreza energética para outros.”
Neste contexto, defendeu o papel do gás natural como instrumento para responder às necessidades de desenvolvimento de Moçambique e de África, numa transição que, na sua perspectiva, deve conciliar sustentabilidade ambiental, acesso à electricidade e crescimento económico.
O Chefe do Estado anunciou igualmente que Moçambique está a preparar uma nova fase de oferta de áreas para pesquisa e exploração de hidrocarbonetos.
A iniciativa, segundo explicou, será apoiada por informação geológica e geofísica mais robusta e por um quadro regulatório modernizado, numa tentativa de tornar o mercado moçambicano mais previsível e atractivo para investidores.
Chapo destacou ainda a aprovação, em Junho deste ano, da Lei do Petróleo, que, segundo afirmou, pretende reforçar a previsibilidade jurídica, a estabilidade fiscal e a transparência regulatória, bem como a protecção dos investidores.
O novo quadro deverá, igualmente, preservar os direitos adquiridos e salvaguardar o interesse nacional.
Outra componente central da estratégia apresentada pelo Presidente é o conteúdo local.
Chapo defendeu uma participação cada vez maior das empresas moçambicanas na cadeia de valor da indústria energética, através de parcerias com empresas estrangeiras, formação profissional e transferência de tecnologia.
É neste quadro que enquadrou o Memorando de Entendimento entre a Petróleo Brasileiro (Petrobras) e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
O Presidente saudou o acordo e manifestou expectativa de que o entendimento possa abrir caminho para uma presença mais expressiva da Petrobras em Moçambique.
A aproximação entre as duas empresas poderá, assim, constituir uma das portas de entrada para uma cooperação mais ampla entre os sectores energéticos dos dois países.
Ao encerrar a sua intervenção, Chapo dirigiu-se aos investidores, instituições financeiras e parceiros tecnológicos, convidando-os a acompanhar as oportunidades que Moçambique pretende abrir nas áreas de pesquisa, exploração de hidrocarbonetos e desenvolvimento industrial.
O objectivo, segundo o Presidente, é construir parcerias de longo prazo com o Brasil e com outros mercados, transformando a riqueza natural em capacidade produtiva.
“Queremos transformar estes recursos em indústria, em conhecimento, em empresas, em empregos e oportunidades.”
(AIM)
Redacção
