MAPUTO, 21 SET (AIM) — O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) está a avaliar oportunidades de apoio à cidade de Maputo na gestão de resíduos sólidos e no reforço das capacidades de saneamento e drenagem, com destaque para o tratamento e reaproveitamento de águas residuais e lamas fecais.
A possibilidade de cooperação foi avançada esta segunda-feira pela Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem (EMSD), que pretende colher experiências e mobilizar assistência técnica do BAD e de outros parceiros de desenvolvimento para melhorar a gestão das infra-estruturas de saneamento da capital moçambicana.
Segundo o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da EMSD, Borges José Rafael Nogueira da Silva, o município de Maputo pretende aproveitar melhor a capacidade instalada na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), incluindo as bacias destinadas à retenção de lamas fecais.
“O município de Maputo, através da EMSD, tem vários desafios. Dentre eles está justamente a gestão e operação da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR)”, afirmou.
O responsável explicou que as lamas fecais podem deixar de ser encaradas apenas como resíduos, passando a constituir uma matéria-prima com potencial para a produção de fertilizantes destinados à agricultura.
Para a EMSD, a cooperação com o BAD poderá contribuir para transformar os actuais desafios de saneamento em oportunidades de desenvolvimento, através de assistência técnica, elaboração de projectos e mobilização de financiamento.
“As agências de desenvolvimento têm pelo menos três componentes importantes que nós pensamos que podemos capitalizar. Primeiro, a componente de assistência técnica. Vamos continuar a conversar com o BAD e com as próprias agências para ver se conseguimos mobilizar assistência técnica para a EMSD e elaboração de projectos”, disse Nogueira da Silva.
A aposta na valorização dos resíduos enquadra-se numa perspectiva de economia circular, em que os materiais resultantes dos processos de saneamento podem ser reaproveitados para gerar novos produtos e fontes de rendimento.
O representante residente do BAD, Rómulo Cunha Correa, destacou o potencial existente nas instalações da ETAR e mostrou-se impressionado com a capacidade da empresa municipal de expandir as suas actividades e aumentar a capacidade de tratamento para os munícipes de Maputo e Matola.
“Fiquei realmente surpreso como a empresa foi capaz de gerir a sua expansão das actividades, gerando uma capacidade de tratamento muito maior para os munícipes de Maputo e Matola”, afirmou.
Segundo Correa, um dos aspectos que mais despertou a atenção do BAD foi precisamente o potencial da EMSD para implementar uma economia circular.
A ideia passa por dar uma utilização produtiva a resíduos que anteriormente não tinham um aproveitamento específico, incluindo a possibilidade de produzir fertilizantes para o sector agrícola ou gerar biogás, contribuindo para a transição energética de Moçambique.
A cidade de Maputo enfrenta actualmente desafios crescentes no domínio do saneamento e drenagem, agravados pelo impacto das alterações climáticas e pela obsolescência de parte das infra-estruturas existentes.
De acordo com a EMSD, há necessidade de expandir os serviços de saneamento e drenagem da rede pública, sobretudo para responder às necessidades das zonas peri-urbanas.
“Há necessidade de expansão dos serviços de saneamento e drenagem da rede pública. Há várias áreas peri-urbanas e todo esse manancial de projectos que nós precisamos e para os quais possamos convidar as agências de desenvolvimento”, afirmou Nogueira da Silva.
O responsável acrescentou que, embora o BAD esteja entre os parceiros com os quais a EMSD está a dialogar, a empresa mantém contactos com outras agências de desenvolvimento, numa estratégia destinada a mobilizar apoio técnico e financeiro para a preparação e execução de projectos.
A dimensão dos desafios é também reflectida nos custos de funcionamento da empresa. A EMSD gasta actualmente cerca de 2,5 milhões de meticais por mês, segundo dados avançados pela instituição.
A transformação das lamas fecais em fertilizantes e do biogás em fonte de energia poderá, neste contexto, contribuir não apenas para melhorar a gestão dos resíduos, mas também para reduzir desperdícios e criar novas oportunidades económicas.
A cooperação em discussão entre a EMSD, o BAD e outros parceiros poderá, assim, colocar a valorização de resíduos no centro da resposta aos problemas de saneamento da capital, associando melhoria dos serviços públicos, protecção ambiental, agricultura e produção de ener
