MAPUTO, 1 Out (AIM) – A escassez de financiamento, emprego e oportunidades continua a limitar a capacidade dos jovens moçambicanos de transformar talento e ideias em negócios e projectos sustentáveis.
Está realidade esteve no centro dos debates da Conferência de Inovação e Liderança Juvenil 2026, realizada hoje em Maputo.
Promovida pela Associação Moçambicana de Jovens pela Igualdade de Género e Educação (AMGIS), a conferência reúne jovens líderes, empreendedores e inovadores, bem como representantes de instituições públicas e privadas, para discutir os obstáculos ao acesso ao financiamento, emprego e outras oportunidades para a juventude.
Sob o lema “Há talento, há ideias, há vontade. Onde está o dinheiro?”, o encontro procura aproximar jovens, investidores, empresas e instituições, num contexto em que muitas iniciativas juvenis enfrentam dificuldades para obter recursos e transformar projectos em actividades economicamente sustentáveis.
Na abertura, a directora executiva da AMGIS, Francisca Noronha, destacou que os jovens possuem talento, ideias e vontade, mas continuam a deparar-se com barreiras no acesso ao financiamento e às oportunidades.
Noronha defendeu a criação de condições que permitam aos jovens transformar as suas ideias em negócios sustentáveis, apontando também para a necessidade de reduzir barreiras burocráticas que dificultam o desenvolvimento das iniciativas juvenis.
Por sua vez, Edith Félix, directora de consultoria e gestão de risco da RSM Moçambique, considerou que o financiamento, por si só, não é suficiente para transformar uma ideia num negócio.
Segundo a responsável, o acesso ao capital deve ser acompanhado pelo desenvolvimento de competências, conhecimento do mercado, disciplina financeira, capacidade de gestão de riscos e credibilidade.
Félix destacou igualmente o papel das empresas, instituições financeiras e universidades na abertura de oportunidades para os jovens. Segundo explicou, uma primeira oportunidade pode assumir a forma de uma mentoria, um estágio ou um primeiro projecto, permitindo aos jovens adquirir experiência e demonstrar as suas capacidades.
O coordenador nacional do Projecto de Apoio à Sociedade Civil da Ajuda Popular da Noruega, Isidro Macarim, destacou, por seu turno, o apoio da organização a iniciativas de empreendedorismo e formação profissional dirigidas à juventude.
Macarim explicou que estas iniciativas procuram ampliar as oportunidades de emprego e auto-emprego, facilitar o acesso ao financiamento e apoiar os jovens no desenvolvimento dos seus próprios projectos.
O encontro pretende, assim, contribuir para que talento, ideias e vontade deixem de esbarrar na falta de financiamento e de oportunidades e se traduzam em emprego, empreendedorismo e desenvolvimento.
(AIM)
Nádia Bacar
