Maputo, 01 de Outubro de 2026 (AIM) – A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) deu os primeiros passos para a criação de uma agenda institucional de Inteligência Artificial (IA), numa altura em que a instituição já aprovou uma nova Directriz para orientar o uso responsável, ético, transparente e academicamente íntegro destas tecnologias no ensino, investigação e gestão universitária.
A nova Directriz foi apresentada durante o Workshop sobre o Uso de Inteligência Artificial, realizado nos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro, no Anfiteatro da Faculdade de Ciências do Campus Principal da UEM, sob o lema “Rumo a uma Agenda Institucional de IA para a UEM”.
A abertura do encontro foi orientada pela Vice-Reitora da UEM, Prof. Doutora Amália Uamusse, num momento considerado importante para o posicionamento da instituição perante os rápidos avanços da Inteligência Artificial e os desafios que a tecnologia coloca ao sector da educação e da investigação.
A Directriz pretende estabelecer uma referência comum para a utilização da IA na universidade, procurando assegurar que a adopção destas ferramentas seja acompanhada por princípios de responsabilidade, ética, transparência e integridade académica.
Para o Director-adjunto do Centro de Informática da UEM (CIUEM), Eng. Jamo Macanze, a aprovação do instrumento constitui apenas o início de um processo que deverá ser acompanhado por medidas concretas.
“A aprovação da Directriz dá uma base institucional a partir da qual devemos preparar instrumentos mais específicos, desenvolver capacidades, definir responsabilidades e acompanhar a adopção destas tecnologias”, afirmou.
A posição traduz o desafio de passar da definição de princípios para a criação de mecanismos capazes de orientar, na prática, a utilização da IA por docentes, investigadores, estudantes e funcionários da instituição.
Nesse processo, a UEM procura igualmente identificar áreas em que a Inteligência Artificial pode contribuir para melhorar o ensino, a investigação, a administração universitária e a prestação de serviços.
O debate institucional ocorre num momento em que Moçambique também procura estabelecer uma estratégia nacional para acompanhar o desenvolvimento e a utilização da Inteligência Artificial.
O Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), Lourino Alberto Chemane, revelou que foi concebida uma Estratégia Nacional de Inteligência Artificial.
A estratégia, segundo Chemane, pretende contribuir para a construção de um ecossistema de IA robusto, ético e inovador, capaz de posicionar Moçambique como um país digitalmente resiliente, competitivo e preparado para a economia global do conhecimento.
A articulação entre a agenda nacional e os instrumentos institucionais da UEM poderá permitir que a principal universidade pública do país acompanhe a evolução tecnológica de forma estruturada, reforçando simultaneamente a investigação e a formação de recursos humanos nesta área.
Organizado pelo Centro de Informática da UEM (CIUEM), com o apoio do Centro Regional de Excelência em Sistemas Agroalimentares e Nutrição (CE-AFSN), o workshop reuniu participantes nacionais e internacionais, dirigentes e representantes da UEM, docentes e membros do corpo técnico e administrativo.
Durante os dois dias de trabalhos, os participantes estiveram envolvidos em sessões paralelas orientadas por facilitadores da UEM, que permitiram discutir oportunidades e riscos associados à utilização da IA e rever instrumentos institucionais, tendo em vista o seu alinhamento com a Estratégia Nacional de Inteligência Artificial.
O debate procurou, deste modo, ir além da dimensão tecnológica, colocando em discussão questões relacionadas com ética, responsabilidade, competências, governação, investigação e cooperação.
Roadmap define próximos passos
Um dos principais resultados do encontro foi a partilha de uma versão preliminar do roadmap institucional para o uso da Inteligência Artificial na UEM.
O documento reúne contributos sobre prioridades, acções, responsabilidades, prazos e indicadores, incluindo possibilidades de investigação e cooperação.
A proposta representa um passo para transformar a nova Directriz num plano de acção institucional, estabelecendo uma visão mais clara sobre a forma como a UEM poderá adoptar e acompanhar o desenvolvimento da Inteligência Artificial.
Com a aprovação da Directriz e a construção do roadmap, a UEM procura criar bases para uma adopção da IA que combine inovação e responsabilidade, preparando a comunidade académica para uma transformação tecnológica que já está a alterar profundamente a forma de produzir, transmitir e utilizar o conhecimento.
(AIM)
