Chimoio (Moçambique), 09 Out (AIM) – Três cidadãos dos 14 que haviam sido recrutados ilegalmente por um indivíduo de nacionalidade chinesa desembarcaram ao princípio da noite desta quinta-feira (08), no aeroporto de Chimoio, na província de Manica, centro de Moçambique.
O grupo era composto por 14 cidadãos que foram parar na República Centro Africana (RCA) com a promessa de emprego numa mina de exploração de ouro.
Dos 14 cidadãos, 11 continuam ainda por localizar e trabalhos estão em curso com vista a encontrar outras possíveis vítimas.
Os três cidadãos que desembarcaram na cidade de Chimoio, têm idades que variam entre 21 e 49 anos de idade.
O porta-voz da direcção provincial de migração de Manica, Abílio Mate, explicou que o grupo que regressou a Moçambique era composto por sete indivíduos.
Quatro desapareceram na cidade de Ndele, na RCA, antes de embarcar para Moçambique.
“O grupo era inicialmente composto por sete pessoas. Foram criadas todas as condições para que regressassem à casa. Mas quatro desapareceram naquele país. Trabalho está em curso para localizar esses indivíduos e levá-los de regresso ao solo pátrio”, explicou.
Acrescentou que “também estão em curso diligências para localizar o cidadão de nacionalidade chinesa que levou ilegalmente esses cidadãos com a promessa de emprego”.
Mate disse que os três cidadãos serão auscultados para explicarem as circunstâncias que os levaram a RCA.
“Contamos com a colaboração das vítimas porque acreditamos que o referido chinês tem ligações com alguns cidadãos que ainda estão aqui em Moçambique”, afirmou.
No entanto, Helton Inoque, de 21 anos de idade, que falou à AIM, contou que conhecera o cidadão de nacionalidade chinesa no distrito de Manica, numa empresa mineira.
“Eu já havia trabalhado com ele no ano passado. Contactou um dos meus amigos que falou connosco. Aceitamos a proposta de emprego naquele país e ele veio nos levar. Saímos de Manica no mês de maio. Inicialmente era para irmos ao Congo”, contou.
Explicou que “o plano mudou quando chegamos a Adis Abeba, na Etiópia. Percebemos que o destino já não era o Congo. Íamos para a República Centro Africana. Havíamos combinado um salário de 40 mil meticais (cerca de 625 dólares) que incluía bônus e outros subsídios. Mas já no terreno, tudo mudou para 30 mil e por fim, passamos a auferir 15 mil meticais. Daí começou a confusão”.
Na mina, segundo Helton, as condições eram precárias. Algumas vezes não havia refeições e o lugar de alojamento era desumano.
“Nos últimos dias de confusão, o chinês arrancou-nos todas as mantas e outros bens que usávamos no nosso dia a dia”, disse.
Os cidadão haviam sido levados à RCA para operar bombas de água, e máquinas escavadeiras.
(AIM)
Redação/mz
