Vitimas das Cheias abandonam a cidade de Chokwe na Provincia de Gaza para locais seguros. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 12 Out (AIM) – As Cidades moçambicanas estão a expandir-se para além dos seus limites administrativos, revelando novas dinâmicas de ocupação do território identificadas através da aplicação da metodologia do Grau de Urbanização (DEGURBA).
A informação foi partilhada hoje, em Maputo, pelo ONU-Habitat, durante o Seminário de Validação e Lançamento dos Resultados do Grau de Urbanização (DEGURBA), tendo a representante, Sandra Roque, afirmado que a compreensão destas transformações exige uma abordagem que ultrapasse as divisões administrativas tradicionais.
“O território evolui de maneira que nem sempre segue aquilo que está estabelecido administrativamente”, afirmou.
A análise destaca a conurbação Maputo–Matola–Matola-Rio e a expansão em direcção a Marracuene, Tenga e Moamba, bem como as dinâmicas de urbanização entre Inhambane e Maxixe, ao longo do Corredor da Beira e no eixo Nampula–Nacala Porto–Namialo.
Neste contexto, a metodologia permite identificar áreas urbanas, intermédias e rurais com base na distribuição da população, na densidade e na continuidade dos assentamentos, oferecendo uma leitura mais detalhada das transformações territoriais.
No âmbito da aplicação do DEGURBA, foram produzidas grelhas populacionais de alta resolução com recurso a dados nacionais, permitindo observar com maior precisão a concentração da população e a distribuição dos assentamentos.
Os exercícios geoespaciais abrangeram a Área Metropolitana de Maputo, Maxixe–Inhambane, Pemba e Quelimane.
O trabalho avançou igualmente para a análise de indicadores ligados à habitação inadequada, ao acesso a serviços básicos, à segurança da posse da terra, à gestão de resíduos sólidos e ao transporte público.
Além disso, foram considerados aspectos relacionados com os espaços públicos e outros indicadores relevantes para o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 11, relativo às cidades e comunidades sustentáveis.
De acordo com o ONU-Habitat, os resultados numéricos obtidos nesta fase são ainda preliminares e carecem de consolidação e validação institucional antes de serem considerados valores oficiais para reporte nacional.
Entretanto, o Recenseamento Geral da População e Habitação de 2027 constitui uma oportunidade para ampliar a aplicação da metodologia, actualizar a análise da distribuição populacional e acompanhar as mudanças na ocupação do território.
A organização reiterou que a informação produzida poderá contribuir para identificar necessidades de infra-estruturas, transportes e serviços públicos, apoiando o planeamento urbano e a formulação de políticas ajustadas às dinâmicas de crescimento das cidades.
(AIM)
NL/pc
