Maputo, 12 Out (AIM) – A dragagem do canal de acesso ao Porto de Maputo, orçada em 150 milhões de dólares norte-americanos, foi lançada esta segunda-feira pelo Presidente da República, Daniel Chapo, no âmbito de um programa de investimentos de cerca de dois mil milhões de dólares destinado à expansão e modernização das infra-estruturas portuárias.
A intervenção visa aprofundar o canal de acesso para permitir a entrada de navios de maior dimensão e melhorar a eficiência das operações portuárias, reforçando a capacidade de movimentação de carga e a ligação de Moçambique aos mercados regionais e internacionais.
Segundo Chapo, a dragagem integra a estratégia do Governo de desenvolver os portos e corredores de transporte para impulsionar a produção, a industrialização e a diversificação da economia nacional.
“O nosso desafio é transformar a geografia em economia e a localização estratégica em competitividade”, afirmou o Chefe do Estado.
O Presidente da República referiu que o Porto de Maputo tem registado investimentos na expansão das suas infra-estruturas, incluindo obras no terminal de contentores, sob responsabilidade da DP World, e investimentos no terminal de carvão da Matola, além de outras instalações de manuseamento de minerais e carga geral.
A dragagem pretende acompanhar a expansão das infra-estruturas em terra, melhorando as condições de acesso marítimo para navios de maior porte.
Em 2025, o Porto de Maputo movimentou cerca de 32 milhões de toneladas de carga, segundo dados apresentados pelo Presidente da República. A actividade portuária gera oportunidades para transportadores nacionais e pequenas e médias empresas, além de receitas para o Estado.
Chapo defendeu que os portos e corredores de transporte devem contribuir para o desenvolvimento das actividades produtivas nacionais, para além de assegurar o trânsito de mercadorias destinadas aos mercados externos.
“Os nossos corredores não podem ser apenas corredores por onde passa riqueza. Devem ser corredores onde a riqueza é produzida, transformada, retida e distribuída”, afirmou.
O Chefe do Estado destacou a dimensão regional do Porto de Maputo, que serve a economia moçambicana e liga centros industriais e produtivos da África do Sul, do Reino de Eswatini, do Zimbabwe, do Botswana e de outros países da região aos mercados internacionais.
Segundo Chapo, o reforço da capacidade portuária pode contribuir para melhorar a integração económica regional, desde que seja acompanhado por investimentos nos transportes ferroviário e rodoviário, na energia e na eficiência dos serviços fronteiriços.
O Presidente da República salientou que a competitividade dos portos depende também da simplificação dos procedimentos administrativos e da coordenação entre as instituições públicas e privadas envolvidas na cadeia logística.
Nesse contexto, referiu o lançamento, em Julho deste ano, do primeiro Sistema Comunitário Portuário de Maputo, destinado a melhorar a circulação de informação e a eficiência dos procedimentos associados à movimentação de mercadorias.
“Queremos que a carga circule com eficiência dentro do porto, depois da descarga no cais, na ferrovia, na estrada e na fronteira”, afirmou.
Chapo defendeu ainda que os investimentos em infra-estruturas devem ser acompanhados pela digitalização dos serviços e pela interoperabilidade dos sistemas utilizados pelas instituições envolvidas nas operações logísticas.
O Governo pretende, através do desenvolvimento dos portos e corredores de transporte de Maputo, Beira e Nacala, reforçar a ligação entre as diferentes regiões do país e facilitar o acesso dos mercados da África Austral ao comércio internacional.
(AIM)
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