MBUZINI, 19 Out (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, defende o esclarecimento das circunstâncias da morte do primeiro Presidente de Moçambique independente, Samora Moisés Machel, ocorrida há 40 anos, na sequência de um acidente aéreo em Mbuzini, na África do Sul.
Chapo falava hoje, durante as cerimónias de homenagem às vítimas da tragédia, que causou 35 mortes, incluindo a de Samora Machel, membros da comitiva presidencial, jornalistas, diplomatas e tripulantes da aeronave.
“Quarenta anos depois, permanecem interrogações sobre as circunstâncias da tragédia de Mbuzini. As investigações e os esclarecimentos produzidos ao longo destas décadas não eliminaram todas as dúvidas”, afirmou o Chefe do Estado.
Na ocasião, defendeu o direito das famílias das vítimas e dos povos moçambicano e sul-africano de conhecerem a verdade sobre os acontecimentos daquela noite.
O estadista sublinhou que a preservação da memória das vítimas exige a continuidade da busca por respostas e reiterou o compromisso do Estado moçambicano com a dignificação de todos os que perderam a vida no acidente.
Chapo destacou ainda o legado de Samora Machel na luta de libertação nacional, na construção do Estado moçambicano e na solidariedade com os povos que combateram o colonialismo e o apartheid, sobretudo na África Austral.
Segundo o Presidente da República, os ideais de Samora Machel continuam a inspirar os esforços de consolidação da paz, da unidade nacional e do diálogo inclusivo, bem como a busca pela independência económica de Moçambique.
Neste contexto, apontou o aumento da produção nacional, a transformação dos recursos disponíveis e a criação de emprego, particularmente para jovens e mulheres, como prioridades para o desenvolvimento do país.
Por sua vez, o ministro das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ronald Lamola, que representou o Presidente Cyril Ramaphosa, enalteceu os laços históricos de amizade e solidariedade entre os dois países e o contributo de Samora Machel para a libertação dos povos africanos.
“A tragédia permanece uma das páginas mais dolorosas da história da nossa luta de libertação na África Austral. Simboliza também os nossos sacrifícios partilhados e os laços que unem os povos da África do Sul e de Moçambique”, afirmou Lamola.
O governante sul-africano recordou o apoio de Samora Machel à luta contra o apartheid e defendeu a preservação dos valores da liberdade e da justiça, assim como o reforço da cooperação bilateral.
No domínio económico, Lamola destacou a importância da integração entre Moçambique e a África do Sul, revelando que mais de 2.500 camiões comerciais atravessam diariamente o Corredor de Maputo, nos dois sentidos.
Acrescentou que cerca de 300 empresas sul-africanas operam em Moçambique, contribuindo para a manutenção de mais de 40 mil postos de trabalho.
Quatro décadas após a tragédia de Mbuzini, Moçambique e África do Sul reafirmam o compromisso de preservar a memória de Samora Machel e das restantes vítimas, bem como de fortalecer os laços históricos de amizade, solidariedade e cooperação entre os dois povos.
O acidente aéreo ocorreu a 19 de Outubro de 1986, quando o avião que transportava Samora Machel, de regresso de uma missão diplomática, se despenhou em território sul-africano, provocando a morte de 35 pessoas.
(AIM)
Laura Tembe (LT)/pc
